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A cachupa cabo-verdiana feita com amor e paciência que está a conquistar a Guarda

As irmãs Mara e Elisandra abriram o Divinos no final de 2025 e combinam pratos da sua terra com receitas tradicionais portuguesas.

Chega à mesa a fumegar e é o prato mais pedido da casa. No novo espaço cabo-verdiano da Guarda, não há rival para a cachupa. “Sempre que fazemos parece que todos os outros da carta são esquecidos”, explica Elisandra da Cruz, uma das proprietárias do restaurante Divinos, que abriu as portas em novembro de 2025.

Apesar do sucesso, não sai todos os dias. É feito apenas de duas em duas semanas, mas sempre que o aroma invade a cozinha, já sabem que se vendem quase sempre dezenas de doses.

O espaço, inaugurado em novembro de 2025, nasceu da vontade de duas irmãs, Mara e Elisandra, servirem aos guardenses os pratos caseiros e carregados de identidade. “Queríamos trazer um bocadinho da nossa terra”, explica Elisandra.

“Preparar uma boa cachupa exige tempo, paciência e tradição”, confessa sobre o processo que começa sempre na véspera, quando o milho e o feijão ficam de molho durante cerca de cinco a seis horas. No dia seguinte, ambos são cozidos lentamente com sal e folhas de louro até atingirem a textura certa. À parte, prepara-se um refogado com cebola e alho, onde as carnes e os enchidos são bem dourados.

Depois entra a mandioca, a batata-doce e os restantes legumes. Só no final se junta tudo: o milho, o feijão e as carnes deixam-se apurar em lume brando até o caldo ganhar uma consistência cremosa e intensa. “A cachupa precisa de tempo. Não se faz à pressa”, sublinha.

Há clientes cabo-verdianos e africanos que procuram os sabores de casa, mas também muitos portugueses que acabam por regressar depois da primeira experiência. “Há muita gente que diz que acha que não vai gostar e depois diz que adora. E a verdade é que voltam.”

Antes de abrirem o negócio, as irmãs já trabalhavam na restauração. Mara chegou primeiro a Portugal, em 2014, devido a uma oportunidade de trabalho, enquanto Elisandra se mudou para a Guarda em dezembro de 2023, depois de uma passagem por Portimão. Hoje, com 39 e 40 anos, respetivamente, dividem tarefas entre a cozinha e o atendimento.

Além da cachupa, o restaurante começou também a apostar nas sobremesas tradicionais cabo-verdianas. A mais recente novidade da casa é a kamoka, que entrou na carta em maio. “É uma farinha de milho torrada, feita a partir do grão seco que é tostado até ganhar um tom dourado semelhante ao mel e depois moído”, explica. Apesar da forte aposta em pratos típicos de Cabo Verde, na carta também há bacalhau espiritual, carne de porco à alentejana e frango de churrasco.

A decoração do restaurante manteve-se praticamente igual à dos antigos proprietários do espaço, que servia sobretudo comida tradicional portuguesa. Tudo foi aproveitado, apesar de terem tentado marcar a nova identidade da casa, com vários apontamentos que remetem para Cabo Verde, como o tecido artesanal tradicional do país, o Panu di Terra. “Para muitos é um simples pano mas, para nós, simboliza a nossa identidade e a identidade da nossa terra.”

Entre detalhes discretos e referências às origens africanas das irmãs, o espaço transmite precisamente aquilo que Elisandra e Mara queriam criar: “um restaurante onde a comida não serve apenas para matar a fome, mas també

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. 31 de Janeiro 99
    6300-035  Guarda
  • HORÁRIO
  • Segunda das 10h às 15h30 e das 19h às 00h
  • Terça a sexta das 10h às 15h30 e das 18h às 22h
  • Sábado 10h às 15h30
PREÇO MÉDIO
Não disponível

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