Em 2019, Ludmila e Armando Di Beneditti tomaram uma decisão radical. Iam deixar o seu Brasil e recomeçar a vida em Itália. O casal de São Paulo — ela com 45 anos, ele com 43 — tinha tudo encaminhado, até que a pandemia se colocou no caminho do plano e os dois acabaram por se estabelecer na Guarda, onde abriram o Município D’Itália, um espaço que combina a gastronomia italiana, brasileira e portuguesa.
Foi uma amiga que os levou até lá. Apresentou-lhes o antigo Café Município, um espaço com mais de 40 anos mesmo ao lado da Câmara Municipal, e tudo fez sentido. A experiência no setor da restauração já a traziam do Brasil. A vontade de montar algo ligado à gastronomia italiana vinha da herança familiar de Armando, filho de pai italiano da região de Lazio.
A ideia inicial era abrir um restaurante de comida italiana. Mas, como muitas histórias de quem se reinventa noutro país, o plano sofreu desvios inesperados. O primeiro choque chegou logo no atendimento. Logo nos primeiros dias, pediram ao balcão um “carioca de limão”. A brasileira ficou confusa e sem saber o que responder ou servir. Dois anos depois, a adaptação é total, mas o processo teve os seus solavancos.
Quando inauguraram o Município D’Itália, em agosto de 2023, a casa encheu. No dia seguinte, contrariamente à expectativa dos proprietários, a sala ficou vazia. Confusos, perceberiam mais tarde onde estava o problema: no preço do café. Custava, ali, 80 cêntimos, mais 10 cêntimos do que o habitual na Guarda.
“Tivemos que espalhar cartazes e convidar as pessoas a entrar”, lembra Armando sobre o esforço para recuperar a confiança dos locais. Começava ali o trabalho real de conquistar um novo público.
Foi uma conquista feita prato a prato. Perceberam que os clientes preferiam refeições mais rápidas e práticas. E, pouco a pouco, começaram a adaptar a carta. Mantiveram os pratos italianos, mas juntaram-lhe sabores do Brasil. Coxinhas, salgados e feijoada começaram a sair da cozinha. A feijoada do Brasil — servida a 7,40€ — tornou-se o prato mais pedido. O toque caseiro e familiar funcionou. E com ele, o restaurante ganhou lugar na cidade.
Os sabores italianos não ficaram de fora. A lasanha (11,50€) e o risotto (a partir de 8€) continuam a ser escolhas frequentes dos clientes. Nos salgados, cada unidade custa 1,30€ e encaixa bem no perfil de quem passa para um almoço rápido ou um lanche reforçado.
À quarta-feira, há uma surpresa que já se tornou rotina. Bochecha de porco com puré de batata e legumes assados. “Este prato tem feito muito sucesso, os clientes adoram”, diz Armando com orgulho.
Carregue na galeria para conhecer alguns dos pratos.

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