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As tábuas mais procuradas da Guarda servem-se neste histórico café familiar em Vila Garcia

Fundado pelos pais de Deolinda Pissarra há mais de 60 anos, o café mantém-se na família e hoje junta a tradição aos novos petiscos.

Quando um casal de americanos hospedado numa quinta da região entrou no Café Pissarra em Vila Garcia, numa aldeia com cerca de 300 habitantes, esperava um típico café de aldeia, mas a decoração moderna foi a primeira surpresa. E assim que a comida chegou à mesa, tiraram os telemóveis dos bolsos para fotografar as tábuas que se tornaram uma das imagens de marca do espaço que funciona ali desde 1968, mas que está longe de se manter inalterado.

O Café Pissarra foi um dos primeiros cafés da aldeia e hoje é conhecido sobretudo pelas tábuas recheadas de sabores da região. A mais famosa junta sete variedades de queijo, entre queijo de ovelha e cabra, além de chouriço, fruta, rissóis caseiros peixe, bolinhas de alheira com chouriço, compotas, patê, frutos secos e ovos de codorniz com salmão.

Na carta, existem diferentes tamanhos: para uma pessoa (13€), duas (18€), três (25€), quatro (30€), cinco (35€) e seis pessoas (40€). “Todos os produtos são comprados da produtores da Guarda”, revela Deolinda Pissarra, e uma das responsáveis pelo negócio.

Foram estas tábuas que, em pouco tempo, se tornaram no best seller do espaço. A ideia surgiu durante a pandemia, quando Deolinda, a cunhada Isabel e a filha Beatriz Pissarra aproveitaram a paragem para fazer obras e repensar o negócio aberto pelos pais de Deolinda em 1961. Até então, o Café Pissarra tinha funcionado durante décadas como café e cervejaria, mas a família decidiu acrescentar a possibilidade de servir petiscos ao final da tarde.

“Durante o dia funciona como café e, ao final do dia e à noite, o espaço é dedicado aos petiscos e às tábuas de sabores”, explica. A mudança aconteceu num período particularmente difícil para a família. A mãe de Deolinda tinha ficado viúva em 2019, depois de quase 70 anos de casamento, e ficou mais isolada durante a pandemia. “Foi nesta altura que surgiu a vontade de inovar”, conta.

Quando os pais abriram o espaço, numa aldeia com cerca de 300 habitantes, também existiam dúvidas sobre o futuro do negócio. “Havia poucas pessoas e, apesar de ser um dos poucos cafés na aldeia, não deixava de ser mais um.” Com o tempo, o café foi crescendo e tornou-se habitual receber grupos ao final das tardes de trabalho. “As expectativas sempre foram altas porque, já era habitual, várias pessoas se juntarem ao final das tardes de trabalho no café. Fazer umas comidas para servir era um género de complemento”, revela.

Hoje, os principais rostos do Café Pissarra são Deolinda e a cunhada Isabel, sendo que contam também com a ajuda da filha, Beatriz. São elas que asseguram grande parte da gestão e do funcionamento do espaço.

A renovação não ficou apenas pela comida. A decoração foi pensada pela sobrinha, Patrícia Pissarra, que, apesar de ser professora, tem formação em decoração de interiores. Paredes de cores claras, mobília em madeira escura e quadros compõem o espaço.

Além das tábuas, há tostas preparadas com pão caseiro e uma das especialidades da casa, os ovos rotos, que, segundo as proprietárias, “tem um segredo” que ambas se recusam a contar. Nas bebidas, destaca-se a sangria feita pela própria casa durante o verão e o vinho Quinta da Portelada servido em garrafa. O vinho tem também uma ligação familiar, já que é produzido por um cunhado de Deolinda.

O espaço ganhou ainda uma nova função como local para aniversários e festas. “A dimensão e o ambiente mais recatado permitem que os clientes estejam mais à vontade, incluindo as famílias com crianças”, destaca. Há quem diga sentir-se ali “como se estivesse em casa”, uma relação de proximidade que se tornou parte da identidade do café.

Quanto ao futuro, a família não tem, para já, grandes planos. O foco está em “solidificar o que já está feito”. Ainda assim, existe abertura para novas ideias e para aproveitar oportunidades que possam surgir.

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