O negócio com mais presenças na Cidade Natal, o Vim do Monte, instala uma barraquinha no recinto há nove anos consecutivos, desde a primeira edição. Os fundadores da marca, Céu Mendes e Manuel Proença, “participam em feiras e feirinhas há muitos anos” e não escondem o orgulho de trazer os produtos que nascem da serra para o centro da cidade. “A Cidade Natal é uma mais-valia para nós, para a divulgação dos nossos produtos e uma forma de chegar diretamente aos clientes”, dizem, lembrando que essas feiras lhes permitem mostrar o que fazem e receber o contacto direto de quem prova e aprecia o seu trabalho.
Naturais de Videmonte, — onde o centeio é a base da alimentação e da tradição — o cereal é a principal matéria-prima do casal “O centeio faz parte da aldeia”, conta Céu Mendes, explicando que o uso da farinha de centeio nas receitas é também uma homenagem ao lugar que os viu crescer e onde continuam a viver. “Sem o centeio, Videmonte não era a mesma coisa”, sublinha. Este grão integral, mais resistente que o trigo (ou a cevada) a climas frios e solos pobres em nutrientes, tornou-se um símbolo que atravessa gerações, encerra memórias e práticas antigas que o casal se empenha em preservar.

Céu e Manuel definem-se como “pessoas da serra, muito trabalhadoras” — e o reconhecimento pelo esforço traduz-se em clientes espalhados por todo o distrito. Fruto do empenho e da dedicação, a reputação de Vim do Monte foi crescendo e o casal passou a preparar os produtos não só vizinhos e conhecidos, mas também quem procura produtos tradicionais e bem feitos.
Para garantir essa qualidade, fazem escolhas conscientes quanto às matérias-primas — ovos, azeite e parte do centeio provêm de produtores locais. “Sabemos que a qualidade dos ingredientes é boa e isso nota-se depois dos produtos confecionados”, afirmam. Essa relação com fornecedores próximos também reforça a economia da região e mantém vivas práticas agrícolas e gastronómicas tradicionais.
No pequeno espaço de produção que têm em casa, começou tudo com um forno a lenha. Este espaço familiar foi crescendo na mesma medida das encomendas e hoje já dispõem de dois fornos. “O meu marido achou que fazia sentido ter mais um forno para dar vazão às encomendas”, explica Céu, sublinhando a decisão permitiu aumentar a produção sem perder o cuidado artesanal. Além dos pães, também produzem biscoitos tradicionais, licores, chás, infusões e um folar singular.
Os biscoitos (70 cêntimos cada), e o folar, a 7€, fazem parte da oferta regular do casal. O folar que produzem não é nem doce nem salgado, uma característica que o torna versátil — permite a quem o prova acompanhá-lo com o que mais desejar — queijos, enchidos, mel ou manteiga — sem que o sabor base se sobreponha.
A sazonalidade também a marca as preferências dos clientes. Com a chegada do Natal, o doce mais procurado são as típicas filhoses, comercializadas a 1,50€ por unidade — um clássico que leva à mesa as memórias das famílias e o aroma das festas antigas. Na festa seguinte, a Páscoa, é o folar típico do Vim do Monte que ganha maior procura, reafirmando a ligação das tradições culinárias às celebrações religiosas e comunitárias. Essas ocasiões ajudam a manter viva a procura por receitas de outrora e a transmitir às novas gerações o gosto por produtos feitos à moda antiga.

Para o casal, o preço é pensado de forma justa, tendo em conta a localização do seu negócio e a realidade económica do interior. A sensibilidade para com a comunidade reflete-se não só na definição dos preços mas também na abertura que mantêm para com quem quer aprender.
Além da produção e das feirinhas, Céu e Manuel também ensinam a fazer pão e biscoitos “à moda antiga”. Os workshops que organizam são pensados para transmitir saberes práticos e afetivos — não se trata apenas de ensinar receitas, mas de partilhar história, memória e modos de vida que fazem parte da identidade local.
A dinâmica de trabalho do casal combina tradição e adaptação. Preservam receitas ancestrais, mas também respondem às necessidades atuais de mercado, aceitando encomendas, adaptando quantidades e mantendo canais diretos com clientes nas feiras. O sucesso de Vim do Monte não surge por acaso — é o resultado de anos de dedicação, de uma escolha firme em utilizar produtos locais e de um carinho evidente pelo ofício.
Hoje, a presença contínua de Vim do Monte na cidade natal é uma prova da resistência das tradições quando bem cuidadas. Céu e Manuel continuam a trabalhar na serra, a cuidar da produção caseira e a levar, feira após feira, os sabores de Videmonte a quem quer provar um pedaço de terra e memória.
Carregue na galeria para ver algumas imagens dos produtos que pode comprar na banca da Vim do Monte, na Cidade Natal.

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