Refúgio Verde é, na Guarda, um espaço singular — o único que traz “os sabores dos Açores ao centro da cidade”. Nasceu da vontade de valorizar e partilhar a riqueza natural e gastronómica das ilhas, especialmente da ilha de São Miguel, que é a origem de Jéssica Correia, a jovem rosto por detrás deste projeto.
Jéssica tem 25 anos e viveu em São Miguel até aos 18 anos . A ligação à sua terra natal marca cada pormenor do projeto, desde a seleção dos produtos até à paleta de cores do espaço. Veio para a Guarda para estudar e foi aqui que realizou o seu estágio como assistente social — experiência que complementou com a entrada no mundo profissional, tendo conseguido o seu primeiro emprego no Fundão.
Apesar da estabilidade que encontrou na sua carreira e do afeto pela profissão, sentiu, porém, a necessidade de mudar de rumo. Essa necessidade transformou-se em coragem empreendedora — em maio deste ano abriu as portas do Refúgio Verde, um espaço dedicado aos Açores que quer aproximar a cidade das memórias, sabores e aromas da sua ilha natal.
A ideia que orientou Jéssica desde o início era clara e simples — criar um lugar que realce e promova a natureza do arquipélago. Não se trata apenas de “vender produtos, trata-se de contar uma história, de construir uma experiência sensorial que transporte quem visita o espaço para os campos verdejantes de São Miguel, para as quintas do Pico e que fazem a singularidade da paisagem açoriana”. Para tornar essa visão real, Jéssica contou com um apoio essencial — Hugo, o marido que, embora seja psicólogo de profissão, participa ativamente no projeto e dá apoio na loja. A presença dele é um exemplo de como o Refúgio Verde é um sonho que se constrói em conjunto, com dedicação e partilha entre família e comunidade.
A seleção dos produtos que chegam ao Refúgio Verde segue um processo muito cuidado e íntimo. Jéssica costuma dizer que “foi preciso sair da ilha, para ver a ilha”, uma frase que resume bem o cuidado com que escolhe cada fornecedor, cada produto, cada sabor que chega às prateleiras. Essa busca exige deslocações, conversas com produtores locais, provas e aquela sensibilidade que só quem cresceu entre as paisagens açorianas pode ter.
O resultado é uma oferta autêntica — bolos lêvedos (pack de três custam 6€) que evocam memórias de forno tradicional, vinhos açorianos que carregam a mineralidade do solo vulcânico, queijos vindos diretamente da ilha do Pico (25€ o quilo) com suas texturas e aromas distintos, licores (15,50€) e Queijadas Dona Amélia (14€). Além destes, há outras delícias e conservas que completam um panorama gastronómico que não se encontra noutro lugar na cidade.

Mais do que uma loja, o Refúgio Verde inclui um espaço de cafetaria e um brunch açoriano pensado para que todos possam provar os sabores dos Açores. A oferta gastronómica foi concebida exatamente porque não existia nada igual na Guarda — um espaço onde as pessoas pudessem não só comprar produtos autênticos, mas também sentar-se, relaxar e experimentar combinações que contam histórias.
O conceito do negócio é simples e intencional — um refúgio ao dia a dia, um lugar tranquilo onde o ritmo desacelera e onde a natureza dos Açores se faz presente através dos sabores, do ambiente e dos pequenos detalhes. A estética do espaço acompanha essa ideia — tons de verde dominam a decoração, uma escolha que remete diretamente a São Miguel, a “ilha verde” que moldou a infância e a sensibilidade estética de Jéssica.
Além do ambiente e dos produtos, o Refúgio Verde promove ainda o wine o’clock, um momento onde é possível provar vinhos e queijos dos Açores. Esse cantinho reúne apreciadores e curiosos, promovendo a cultura do vinho regional e o conhecimento sobre as microproduções das diversas ilhas. As degustações são um convite à descoberta. É também uma forma de aproximar produtores e consumidores, de valorizar trajetórias familiares e saberes locais que, de outra forma, poderiam passar despercebidos fora do arquipélago.
Naturalmente, Jéssica percorreu o seu caminho com hesitações. No início, teve receios — sobre a viabilidade do negócio, sobre a recepção por parte dos clientes, sobre a capacidade de manter padrões de qualidade tão exigentes. Ainda assim, ao olhar para trás, admite sem rodeios que “voltava a arriscar porque tem crescido muito com a loja”. O balanço é positivo, o crescimento não é apenas económico, é também humano e comunitário.
Através do Refúgio Verde, Jéssica tem conseguido criar uma ponte entre a Guarda e os Açores, estimular curiosidade gastronómica e sensorial, e oferecer um ponto de encontro onde origem, memória e território se encontram. A cada produto vendido, a cada brunch servido, e a cada degustação, a empreendedora reafirma a promessa que anunciou desde o primeiro dia, com a intimidade de quem conhece bem a ilha.
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