É diabética e não aprecia doces ou bolos, mas Zélia Bidarra é pasteleira há 12 anos. Os Docinhos da Zely surgiram em 2014, quando os filhos saíram de casa para estudar. A guardense deu por si em casa, com muito tempo livre e “uma cabeça muito pensativa.”
Costuma dizer que tem síndrome do ninho vazio e, em vez de ficar em casa sentada no sofá, decidiu dedicar-se à cozinha. Não sabia o que fazer, até que pensou: “Bem, se sempre gostei de fazer bolos, porque não experimentar?”
O negócio cresceu naturalmente através do boca a boca: “Comecei a fazer para a família e depois, atrás da família, vieram os amigos, depois o amigo do amigo e foi assim”, conta.
O projeto mais memorável que fez até hoje foi um bolo de casamento para 300 pessoas, onde o noivo queria chocolate, a noiva limão e a mãe da noiva o tradicional pão de ló. “Quando recebi este pedido fiquei nervosa e com algum receio que não corresse bem. No final, valeu a pena.” O desafio exigiu dois dias de trabalho intensos.
De administrativa ao departamento de psiquiatria
Com 59 anos, Zélia é técnica auxiliar de saúde no departamento de psiquiatria de um hospital da Guarda, onde trabalha há oito anos. Contudo, sua carreira é mais complexa. Durante 30 anos foi administrativa de escritório na Guarda, até que a empresa fechou.
Aos 48 anos, concorreu para o hospital e conseguiu entrar. “Nunca pensei gostar assim tanto, mas trabalhar em psiquiatria consegue ser muito gratificante”, revela.
A razão pela qual começou o negócio dos bolos está ligada ao seu percurso de vida. É a filha mais velha de cinco irmãos e, desde pequena, fazia bolos nos fins de semana para eles. “Lembro-me que, desde muito pequena, passava os fins de semana a fazer bolos para eles comerem.”
A paixão pela cozinha veio da mãe e da avó e, ao colocar em prática, o gosto foi crescendo. “Dá-me muito prazer cozinhar para os outros.” O que a motiva é a criatividade na decoração e criar produtos diferentes, longe do padrão uniforme das pastelarias. “Ir mudando dá-me um certo gozo.”
Os seus bolos são “totalmente caseiros”, da massa aos recheios e decoração. Todos são preparados na sua cozinha e cozem no forno de casa. “A massa leva ovos, farinha e açúcar. Até os cremes de chocolate e ovos moles são feitos por mim, pois não compro nada pré-feito”, explica.
Começou com bolos de aniversário, batizados e casamentos e, rapidamente passou para as pavlovas. “Queria fazer algo diferente e decidi experimentar para ver como corria.” Entre suas especialidades está o “encanastrado,” um bolo de massa folhada com pão de ló, doce de ovos e creme.
Faz também bolos de chocolate, laranja e Red Velvet, mas sua verdadeira paixão são os tradicionais: “O pão de ló e os doces conventuais são os meus preferidos.”
Quanto aos clientes, Zélia tem uma base fiel. Muitos já a acompanham há muitos anos, desde o primeiro aniversário dos filhos até aos 18 anos e casamentos.

Quanto aos preços, cada bolo custa, em média, 20€ por quilo. “Este preço é independente do tipo de massa, exceto massas de noz ou amêndoa.” O valor também varia consoante a decoração. “Se alguém quer frutos vermelhos no inverno, o preço sobe porque são caríssimos.”
Para bolos com pasta de açúcar, o preço também é distinto, embora Zélia admita não gostar muito desta técnica.
Apesar de toda a dedicação à confeitaria, Zélia continua como técnica de saúde e prepara as encomendas nas suas folgas. Apesar dos elogios, nunca considerou deixar o hospital para se dedicar 100 por cento à confeitaria. “A área da saúde é algo que amo profundamente”, revela.
Para ela, os doces representam muito mais que um negócio secundário: “Sinto que estou a fazer parte da felicidade de alguém, na comemoração de uma data importante e isso, para mim é muito bom. Deixa-me feliz. Muito feliz mesmo.”
As encomendas podem ser feitas através da página de instagram Docinhos da Zely.
Carregue na galeria para ver algumas das criações da pasteleira.

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