O bacalhau é a especialidade do restaurante e destaca-se pela preparação totalmente artesanal. Todo o processo é realizado na casa, desde a compra do peixe inteiro até ao corte, demolha e confeção, sem recorrer a bacalhau previamente preparado. “O peixe fica entre quatro e cinco dias em demolha, com três mudanças de água diárias”, explica Anabela, responsável pelo restaurante O Ferrinho, na Guarda. A qualidade estende-se aos restantes ingredientes, como a batata frita caseira e os ovos de produtores locais, utilizados para preparar bacalhau à brás.
No Ferrinho há dois pratos de peixe que se destacam: o Bacalhau à Casa (18€) e o Bacalhau à Brás (15€), pratos que “por dia saem entre 15 a 20 doses para a mesa”, revela a guardense.
O que distingue, não só estes dois pratos, como todos os outros, é que “tudo é preparado de forma artesanal e com produtos da Guarda”, revela Anabela.
Mas além do bacalhau, há um que tem surpreendido os clientes: o arroz de cabidela (14€). “Durante o verão, que é a altura com mais afluência, chegam a sair mais de 15 doses por dia.”
O Restaurante Ferrinho, onde estas especialidades podem ser degustadas, foi inaugurado em 1995. O nome do espaço nasceu como uma homenagem à família “Ferrinhos”, para quem o pai de Anabela, o fundador o espaço, trabalhou durante vários anos antes de abrir o seu próprio negócio. Esta família tinha uma mercearia onde comercializava utensílios domésticos e outros artigos, “sendo essa ligação profissional e pessoal suficientemente marcante para inspirar o nome do restaurante”, revela a atual proprietária.
A história do restaurante está intimamente ligada à família. O fundador viveu vários anos no Brasil e, após regressar a Portugal, adquiriu e remodelou o edifício onde viria a abrir o restaurante em sociedade com a irmã e o cunhado. Alguns anos depois, assumiu a gestão integral do negócio.

Há cerca de oito anos, devido a problemas de saúde do pai, Anabela decidiu regressar à Guarda, juntamente com o marido, para assegurar a continuidade do restaurante. Licenciada em Engenharia Alimentar, sempre manteve uma ligação ao espaço, onde começou a ajudar desde criança, “trabalhando aos fins de semana, feriados e férias.” Atualmente é responsável pela gestão do restaurante, enquanto o companheiro assume a preparação dos pratos.
Embora o bacalhau seja a principal referência gastronómica da casa, a carta conta com cerca de doze pratos, resultado de uma seleção feita ao longo dos anos para adaptar a oferta à dimensão da cozinha e garantir um serviço de maior qualidade. Na carta há ensopado de borrego (15€), lombo de salmão e dourada grelhada (14.5€) e filetes de pescada com molho de camarão (16€).
As sobremesas também todas caseiras, com exceção dos gelados. Na carta há leite-creme (3€), mousse de chocolate caseira (3€), doce da casa (3,5€), serradura (3,5€), arroz-doce tradicional sem ovos (3€) e, uma das mais pedidas, papas de milho (5€). Esta última é uma das mais tradicionais na região, feito à base de farinha de milho ou carolo, cozinhado lentamente em água ou leite.
Apesar de serem pouco conhecidas por quem não é da Guarda, tem conquistado quem as prova. Anabela recorda, por exemplo, um cliente que experimentou a sobremesa pela primeira vez e comentou que “era capaz de comer baldes disto.” Os preços das sobremesas variam, regra geral, entre os 3 € e os 5 €.
A decoração do Restaurante Ferrinho mantém a identidade idealizada pelo fundador. Apesar de existirem planos para algumas alterações futuras, Anabela prefere preservar o ambiente que caracteriza o espaço. Um dos elementos decorativos herdados é a utilização de garrafas de vinho nas mesas, uma ideia do pai. Atualmente, a mãe é responsável pela decoração e manutenção do restaurante, recorrendo a plantas e diversos objetos decorativos “que contribuem para criar um ambiente acolhedor e familiar.”
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