Mais de 400 produtores e representantes de restaurantes de todo o País reuniram-se, no sábado, 26 de setembro, para a 16.º Concurso Vinhos do Tejo. Integrado na gala, realizou-se a 12.ª edição do Tejo Gourmet – Concurso de Iguarias e Vinhos do Tejo, e entre os vencedores da noite, houve um galardoado guardense, que subiu ao palco por duas vezes. “Foi uma situação um bocado inesperada”, admite Pedro Nobre, da Nobre Vinhos e Tal, que foi distinguido com o Diploma de Ouro graças a harmonização entre comida e vinho apresentada no concurso; e também o prémio de Melhor Carta de Vinhos Fora da Região, que foi atribuído pela primeira vez.
Este último, premiou a criteriosa seleção de vinhos do Tejo presente na garrafeira Nobre Vinhos e Tal, que guarda cerca de 30 referências de vinho da região. Mais complexa foi a conquista do Diploma de Ouro, num caminho que começou a ser preparado em outubro de 2025, quando recebeu um convite para participar na iniciativa promovida pela Comissão Vitivinícola Regional do Tejo em parceria com a Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo. A verdade é que este modelo não era uma novidade para o guardense de 56 anos, que já tinha concorrido na edição anterior.
A participação implica a apresentação de uma entrada, um prato principal e uma sobremesa, todos harmonizados com vinhos da região do Tejo e servidas à mesa do espaço guardense, onde Pedro recebeu os membros do júri.
Para a competição, começou por servir, como entrada, um rolinho do mar, recheado com sapateira e salmão e envolvido em massa filo, seguido de um lombo de vitela ao bosque, com cogumelos salteados, esmagada de batata e grelos. A refeição terminou com um mil-folhas com natas e frutos vermelhos. Tudo pratos que, naturalmente, estão disponíveis para todos na ementa do espaço.
Encontrar um vinho do Tejo para cada um dos pratos exigiu alguma, contactos com produtores e várias provas. Apesar de ter uma carta com cerca de 550 referências, estava limitado às produções do Tejo. Para a entrada, escolheu um Ninfa Alvarinho, um monocasta Alvarinho de João M. Barbosa que, acreditava Pedro, seria o parceiro ideal para complementar os sabores de marisco e salmão. “Eleger um Alvarinho do Tejo é uma escolha pouco provável”, afirma.
Seguiu-se um Mytos (19,2€), um vinho tinto feito com Touriga Nacional, Touriga Roriz, Cabernet Sauvignon, produzido pela Quinta do Casal da Coelheira. “É um vinho com bastante estrutura e um vinho bastante completo, que acho que combinava bem com a carne”, afirma. Para fechar, um espumante da Casa da Atela, produzido com a casta Pinot Noir, na Quinta da Atela, cuja “frescura e equilíbrio acompanharam bem as natas e frutos vermelhos”.

Até chegar às três combinações finais, foram muitas as harmonizações testadas. A seleção é feita com vários vinhos, que vão sendo testados e eliminados. Feita a prova, Pedro teve que esperar. “Depois fiquei a aguardar que fosse marcada a gala para saber qual é que foi o resultado”, recorda. O resultado não podia ter sido melhor.
Os dois prémios reconhecem sobretudo o trabalho que Pedro tem desenvolvido desde que decidiu trocar a banca pela restauração. Trabalhou durante 25 anos como bancário até que, em 2017, mudou de vida e abriu o Nobre Vinhos e Tal. “Foi uma mudança radical”, costuma dizer. Desde então, construiu um projeto onde a gastronomia e, sobretudo, o vinho ocupam um lugar central.
É o próprio Pedro quem escolhe as referências da garrafeira, depois de visitar todos os anos várias feiras de norte a sul do País. O restaurante tem mais de 500 referências, com especial presença de vinhos da Beira Interior, Douro, Alentejo e Dão, além das cerca de 30 referências do Tejo.
O espaço guarda também algumas memórias familiares. Entre elas está um móvel com cerca de 125 garrafas que veio da antiga mercearia dos avós e uma mesa que pertenceu à taberna do avô.
Na cozinha, destacam-se também pratos como o cabrito grelhado à moda da Guarda (18.5€) e borrego estufado (28€), idealmente acompanhados com vinhos da garrafeira selecionada por Pedro, que podem ser provados à garrafa ou a copo, com preços entre 2,50€ e 5€. Há também quem passe apenas para beber um copo acompanhado por petiscos como presunto ibérico, queijo da Serra e enchidos.
Para Pedro, os prémios são o resultado de uma forma de trabalhar que mantém desde a abertura do restaurante. “Quando fazemos uma coisa e nos comprometemos, devemos fazer o melhor que conseguimos”, afirma. “Não queria ter só mais uma carta de vinhos. Queria ter uma algo que se diferenciasse de outros restaurantes.”
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