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É oficial: este vinho de Aldeia Viçosa tem o rótulo mais cool da região

O Ethos Vinho de Parcela Tinto 2023 destacou-se pelo rótulo criado por Ana Malta e reforçou o percurso de excelência do projeto de Tiago Mendonça.

Entre os vinhos distinguidos na 19.ª edição do Concurso de Vinhos da Beira Interior, houve um que se destacou antes mesmo de chegar aos copos. O Ethos Vinho de Parcela Tinto 2023, produzido na Quinta de São Lourenço, em Aldeia Viçosa chegou à competição para conquistar o Prémio de Melhor Imagem na gala realizada a 4 de julho, no Castelo de Alfaiates, no concelho do Sabugal.

O rótulo foi criado pela artista plástica Ana Malta, no âmbito de um concurso de pintura promovido por Tiago Mendonça, responsável pela produção de vinho e azeite no Vale do Mondego e proprietário da Quinta de São Lourenço, onde se encontram os 13 hectares de vinha que dão origem aos vinhos do produtor. “Quisemos apostar numa imagem diferente e marcante. A Ana Malta criou um rótulo único e acabámos por conquistar o prémio de melhor imagem entre todos os vinhos da Beira Interior”, destaca.

E o que esconde o interior da garrafa? A referência é um field blend de uvas tintas, produzidas na maior parcela da quinta, que inclui castas como a Jaen, Rufete ou Trincadeira. As uvas são fermentadas durante 25 dias, com 10 por cento de cacho inteiro, em remontagens suaves. No primeiro inverno estagiam em inox e posteriormente 18 meses em barricas de 500 litros. O resultado é um vinho com 13 por cento de teor alcoólico, com destaque para a fruta vermelha vibrante e notas subtis de especiarias.

Embora Tiago esteja profissionalmente ligado à engenharia e à elaboração de projetos de pontes, edifícios e infraestruturas em Lisboa, a ligação à terra e ao concelho da Guarda acompanha-o desde sempre. Foi precisamente essa relação que esteve na origem de um projeto agrícola que é hoje reconhecido além das fronteiras da região. “Tenho as vinhas em Aldeia Viçosa e a escolha não foi por acaso. A minha família é daí e tenho uma ligação muito forte a esta terra e às quintas que foram dos meus avós”, explica o guardense de 63 anos.

O percurso começou muito antes da produção profissional de vinho e azeite. Desde a adolescência acompanha e gere propriedades agrícolas da família, inicialmente dedicadas sobretudo à produção de maçã. “Tomo conta destas quintas desde os meus 22 anos. Sempre existiu esta ligação à terra e ao que ela nos podia oferecer”, recorda.

A dedicação ao projeto surgiu há cerca de 15 anos, quando decidiu apostar seriamente na produção de azeite. A compra da Quinta da Campanária, em Vila Porteiro, permitiu-lhe avançar para um investimento decisivo: a construção de um lagar próprio. “É muito difícil fazer um azeite verdadeiramente bom sem ter um lagar próprio. A azeitona tem de ser apanhada e transformada no próprio dia. Foi por isso que investi num lagar e numa produção controlada do princípio ao fim”, explica.

Custa 26.5€.
Custa 26.5€.

A primeira campanha realizada no novo lagar aconteceu em 2015 e marcou o início de um percurso de reconhecimento internacional para a marca Ethos, atualmente distinguida em alguns dos mais prestigiados concursos mundiais de azeite.

A aposta no vinho surgiu dois anos depois, após a aquisição da Quinta de São Lourenço, também conhecida como Quinta do Ministro, em Aldeia Viçosa. A propriedade já tinha uma vinha e revelou-se a oportunidade ideal para expandir o projeto. “Era um mercado que conhecia menos. Não sabia produzir vinho, mas a quinta já tinha vinha e decidi continuar o projeto, rodeando-me das pessoas certas e apostando em fazer um vinho de qualidade”, afirma.

Hoje, a produção divide-se entre cerca de 13 hectares de vinha e mais de 40 hectares de olival distribuídos por várias propriedades do concelho da Guarda, numa estratégia que procura valorizar as características únicas do Vale do Mondego e da Beira Interior. E se o vinho conquistou agora reconhecimento pela imagem, o azeite já se habituou aos palcos internacionais. Desde a primeira produção, em 2015, os prémios têm sido regulares. “Temos ganho prémios praticamente todos os anos nos concursos internacionais de azeite”, revela o produtor.

Os resultados têm colocado a marca entre as melhores do mundo. No Japão, em junho, entre cerca de 800 azeites a concurso, os produtos Ethos ficaram entre os dez melhores classificados. No Brasil, em 2025, e perante mais de 600 referências internacionais, repetiu-se o reconhecimento. “Foi um orgulho.”

Para Tiago Mendonça, estas distinções representam também uma oportunidade para promover a Guarda, o interior do País e a qualidade dos produtos da região. “Acho que estes são dos poucos produtos da Guarda que competem verdadeiramente ao nível mundial. Quando estamos entre os melhores do mundo estamos também a levar o nome da região connosco”, sublinha.

Quanto ao futuro, os objetivos passam por continuar a investir na qualidade, aumentar o reconhecimento das marcas e consolidar a presença nos mercados nacionais e internacionais. “É importante continuar a conquistar prémios porque eles atestam a qualidade do produto e valorizam todo o trabalho desenvolvido”, afirma Tiago Mendonça. A estratégia mantém-se inalterada: “Produzir vinhos e azeites de excelência, valorizando o território e demonstrando que o interior do país tem capacidade para competir ao mais alto nível”, realça o produtor.

Carregue na galeria para conhecer a Quinta.

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