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Aos 27 anos, trocou Almada pela Guarda com projeto para desenvolver o interior

Alexandre Varandas voltou para a cidade onde nasceu para realizar o sonho de "viver numa aldeia".

Renascer na Aldeia — a página de Instagram criada por Alexandre Varandas — é o eixo do seu trabalho de promoção do interior, onde partilha experiências e cria iniciativas com o objetivo de inspirar mais pessoas a fixarem-se nas aldeias do interior. Além deste projeto, Alexandre está envolvido em várias atividades e organizações locais: é membro da Junta de Freguesia de Aldeia do Bispo, integra a Associação Cultural e de Melhoramentos do Bairro Nossa Senhora de Fátima — onde preside ao conselho fiscal — e participa no Museu da Castanha de Aldeia do Bispo. Paralelamente, cria conteúdos e gere redes sociais.

Na Guarda, envolveu-se com a comunidade e desenvolveu, durante dois anos, o projeto “Lã com Vida” na Associação do Bairro Nossa Senhora de Fátima. A ideia passava por comprar cobertores tradicionais, os chamados cobertores de papa, e promover workshops gratuitos abertos aos moradores do bairro onde vivia. Com a ajuda de uma professora, artesã, transformavam os cobertores em novas peças. Semanalmente, levavam o projeto a lares e centros de dia e organizaram exposições no Centro Comercial La Vie.

Apesar de ser natural da Guarda, Alexandre deixou a cidade ainda muito pequeno, com apenas dois anos. Após a separação dos pais, foi viver para Almada, pelo que guarda poucas memórias da infância na cidade. As visitas que fazia restringiam-se aos períodos de férias, divididas entre o pai e a mãe, e admite que “quando cá vinha, comecei a criar um sentimento muito especial pela cidade”, conta o jovem, hoje com 27 anos.

Regresso às origens

No ensino secundário, ainda ponderou seguiu a área do Desporto, mas acabou por frequentar Restauração e Bar porque era o mais próximo de casa, em Almada. No 11.º ano, quando a professora anunciou que poderiam escolher o local de estágio, Alexandre não hesitou: optou pela Guarda. Estagiou durante três meses no Hotel Lusitânia, local que voltou a escolher no último ano do curso. No final, recebeu uma proposta de contrato. “É agora ou nunca”, pensou.

Apesar de admitir que ficar em Almada teria sido financeiro, sempre teve ideias claras sobre prioridades — “bem-estar, qualidade de vida e felicidade” — e considera que o trabalho na restauração é algo que se pode exercer em qualquer lugar, por ser um setor presente em todo o país.

Regressou definitivamente à Guarda em 2017, admitindo que sempre teve vontade de voltar. “Fui para Almada, mas o coração sempre ficou na Guarda”, confessou à NiG. Embora a mudança tenha custado pela separação da mãe e da família, sentiu necessidade de uma transformação pessoal: “Há portas que se fecham e janelas que se abrem.”

O nome do projeto, “Renascer na Aldeia”, reflete essa intenção de renascimento pessoal e comunitário: viver numa aldeia, ajudar no desenvolvimento local e inspirar outros a fazê-lo. “Conheço a Serra da Estrela e a Guarda como a palma da minha mão”, diz, e pretende que o projeto sirva de inspiração para aumentar a natalidade e atrair novos habitantes ao interior.

Há cerca de quatro meses mudou-se para Aldeia do Bispo. Embora não tenha raízes familiares na terra, já conhecia pessoas da aldeia e foi muito bem recebido: “Foi a aldeia que me escolheu a mim, não eu à aldeia.”

No futuro, Alexandre espera continuar a fazer a diferença, ao criar mais atividades que atraiam cada vez mais pessoas a fixarem-se na aldeia e a construírem aí a sua vida. Quer que o interior volte a ser visto como uma opção viável e vibrante para viver. E já tem um plano em mente: criar um turismo rural para quem venha de fora possa conhecer o interior.

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