Assim que o novo espetáculo de stand-up de António Raminhos marcou passagem pelo Teatro Municipal da Guarda, a 23 de abril, os mais de 600 bilhetes disponíveis voaram. Em menos de dois dias os bilhetes esgotaram.
Sabe-se bem que os grandes nomes atraem sempre mais público, embora tenham notado uma crescente procura por outro tipo de propostas. Os concertos com artistas mais conhecidos acabam por ter lotação praticamente esgotada, mas há um crescimento de público noutras áreas, como a dança contemporânea ou o cinema.
Um dos momentos mais marcantes dos 20 anos de história do teatro que, curiosamente, não envolve uma casa cheia. Foi em setembro de 2021, na ressaca da pandemia, mas num país ainda sob várias restrições, neste caso com Caetano Veloso como protagonista.
Se os eventos com artistas de reconhecimento nacional são importantes para encher salas, o TMG tem uma programação com atenção redobrada à dinamização da cultura local. O projeto Beat na Montanha, organizado pelo músico guardense Luís Fidalgo, mais conhecido por B.Riddim, foi um dos mais marcantes que subiu a este palco.
Esta iniciativa conta com a participação de mais de 60 crianças e jovens de comunidades vulneráveis, da Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados da Guarda e da Associação PALOP, sendo que o projeto foi apresentado a 17 de abril, no Café Concerto.
“Estávamos a lidar com histórias de pessoas, muitas delas em fases de vida vulneráveis e, por isso, a atenção a todos os pormenores, quer na organização em palco quer no público, foi uma das nossas maiores preocupações.” Ainda assim, o resultado foi surpreendente, com uma sala a abarrotar. O sucesso foi tão grande que, a 30 de maio, alguns dos jovens que integraram o projeto vão voltar a subir ao palco para contar a sua história e explicar como foi participar nesta iniciativa.
Inaugurado em abril de 2005, o Teatro Municipal da Guarda nasceu com a ambição de contrariar a ideia de que a programação cultural de grande dimensão pertence apenas aos grandes centros urbanos. A abertura deste espaço veio mudar o pensamento de que só em Lisboa ou no Porto é que há talento, grandes concertos ou espetáculos. Aliás, grande parte da programação é gratuita.
Muitos destes projetos contam com o apoio da autarquia, o que permite que sejam de entrada livre, um fator essencial para atrair visitantes e abrir a cultura à cidade, e isso tem ajudado a aumentar o número de visitantes. Se o primeiro ano de funcionamento foi o mais prolífico e contou com um total de 25 mil visitantes, desde então, não foi possível bater o recorde, mas os números anuais têm-se fixado nos 15 mil visitantes por ano.
Quando o Teatro abriu portas o objetivo era trazer para a cidade artistas que, normalmente, atuam em grandes cidades. A verdade é que este espaço recebe milhares de pessoas todos os anos e o Teatro está a investir para que cheguem até às suas salas cada vez mais pessoas.
A agenda para os próximos três meses já está definida e conta tanto com projetos guardenses como com artistas nacionais. Entre os nomes estão os Pluto, que vão celebrar os 20 anos do primeiro álbum, “Bom Dia”. Frankie Chavez também vai subir ao palco para assinalar os 15 anos de “Family Tree” e Marta Ren vai levar soul, jazz e clássicos americanos ao Grande Auditório.
Os alunos das escolas da Guarda vão também atuar neste espaço. Em maio, serão apresentadas várias peças de teatro que integram o projeto Ciclo Teatro na Escola. A 27 de maio, os alunos da Escola Carolina Beatriz Ângelo apresentam “O Sábio fechado na sua Biblioteca”. A 3 de junho sobe ao palco “Um pouco de MacBeth”, pelos alunos do Agrupamento de Escolas da Sé e, a 6 de junho, “É duro ser Rapariga!”, pelos alunos da Escola Afonso de Albuquerque. Todas as peças terão entrada gratuita.
O objetivo passa por garantir uma oferta cultural contínua e diversificada ao longo do ano e evitar uma programação concentrada apenas em grandes eventos pontuais. Essa relação de proximidade acaba por ser uma das principais forças do Teatro. Há artistas que ficam surpreendidos com o envolvimento do público da Guarda. Existe uma relação muito direta entre as pessoas e o espaço.
Ao fim de mais de duas décadas, o Teatro Municipal da Guarda continua a assumir-se como um espaço central da vida cultural da cidade e da região, ao passo que tenta conciliar grandes nomes da programação nacional com pequenos músicos e artistas que cresceram na Guarda. O desafio é continuar a inovar sem perder a identidade da cidade e sem deixar ninguém de fora.
Conheça toda a programação do TMG para os próximos meses neste artigo da NiG.
Carregue na galeria para conhecer o espaço e ver alguns dos nomes que já passaram pelo Teatro.







