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Fotógrafo guardense lança projeto digital para mostrar os tesouros escondidos da Guarda

Davide Viegas nasceu na Faia e como muitos jovens, viajou para o litoral. Apaixonado pela terra natal, usa o talento para promover a região.

Davide Viegas já se habituou aos olhares de quem passa e o vê estático, atento, de câmara na mão, pelas ruas das aldeias da Guarda. “Acham estranho ver alguém com uma câmara a gravar umas coisas ali no meio da rua”, conta o guardense de 32 anos. Isso foi no início. Por estes dias, é uma cara conhecida e já ninguém fica surpreendido. O resultado dessas sessões é exibido no Frame Lab, o projeto digital que hoje usa para fazer chegar ao mundo a beleza e a tradição da terra natal.

Natural da Faia, no concelho da Guarda, formou-se em Comunicação e Multimédia no Instituto Politécnico da Guarda em 2016. Três anos depois, fez o que muitos dos seus jovens conterrâneos fazem: fez as malas e mudou-se para o litoral, à procura de emprego, que encontrou em Oeiras, onde vive há sete anos.

Apesar de reconhecer que ali “há mais e melhores oportunidades”, a saudade da Guarda manteve-se sempre por perto. Tanto que fazia e continua a fazer questão de viajar quase todos os fins de semana para casa.

Entre viagens e fotografias, em 2018 fez nascer, nas redes sociais, o Frame Lab, um projeto digital próprio de fotografia e vídeo. E se no arranque, todos os recantos do País tinham espaço na galeria, em 2024 decidiu que serviria como ponto de partida para exorcizar essa saudade da Guarda e divulgar os tesouros escondidos da região.

Começou por fotografar espaços como a estação de comboios e a aldeia histórica de Sortelha, com o objetivo de espelhar, nestes conteúdos, não só as paisagens, como as pessoas e os pratos tradicionais. “O projeto é, de certa forma, um regresso a casa”, explica. E apesar de ainda não ter regressado de vez, acredita que o interior não é um vazio de oportunidades.

“Aqui há coisas às quais nas grandes cidades ninguém tem acesso”, explica sobre a “autenticidade, ritmo e qualidade de vida”. O projeto procura precisamente evidenciar todos esses trunfos da região. “Já vinha frequentemente à Guarda por causa da família, mas com o Frame Lab, tenho mais um propósito e mais um motivo para vir”, revela.

O trabalho começa sempre com muita pesquisa. Escolhe os monumentos que identificam cada freguesia, procura os pratos de referência nos restaurantes e fala com quem conhece a história local. O objetivo é ir muito para lá da mera imagem. “A câmara capta, mas depois a edição conta.”

Exemplo? A Alma Serra, a entrada do restaurante Dsigual que fotografou e publicou no projeto, e que considera ser um desses momentos oportunos de divulgação, não só da tradição, mas de um novo ímpeto criativo. O prato, preparado com farinheira corada, cogumelos frescos salteados e queijo da Serra gratinado com ovo de codorniz, é um dos destaques da carta do restaurante, que em 2021 alistou esta criação no concurso das 7 Maravilhas de Portugal, na categoria Petiscos e Entradas, no qual chegou à finalíssima.

Davide defende que a autenticidade não se cria de forma artificial. Não são necessários artifícios. O seu trabalho é mesmo esse, encontrar a melhor forma de “adaptar cada lente”, “analisar a luz” e sobretudo “perceber o que se está a focar”. Depois, é só deixar que cada pessoa, objeto ou paisagem falem por si.

 
 
 
 
 
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