cultura

Galerias Charlot reabrem 20 anos depois com oficinas, artesãos e muitas atividades gratuitas

A inauguração está marcada para este sábado, dia 3 de outubro. O novo espaço vai receber artesãos guardenses, atividades culturais e workshops de pintura, teatro e pão.

Durante mais de duas décadas, as portas ficaram fechadas e as antigas lojas vazias. As Galerias Charlot, que chegaram a funcionar como um pequeno centro comercial com cerca de oito espaços no centro histórico da Guarda, encerraram em 2000 e nunca mais voltaram a receber público. Isso muda este sábado, 3 de outubro, data da inauguração, cuja cerimónia será aberta ao público. As antigas galerias vão finalmente reabrir, desta vez transformadas na Oficina de Artes, Tradições e Ofícios (ATO), um novo espaço dedicado a artesãos, jovens criativos e associações de arte.

A nova oficina ficará na Rua Francisco de Passos, mais conhecida como Rua Direita, no centro histórico da cidade. A intervenção representa um investimento de cerca de três mil euros e foi realizada pelos trabalhadores da Junta de Freguesia, com a colaboração de reclusos do Estabelecimento Prisional da Guarda.

Onde antes existiam lojas destinadas ao comércio, haverá agora workshops e atividades culturais. Será um local onde os artesãos guardenses vão poder trabalhar no local e mostrar ao vivo as técnicas que dominam, desde tecelagem e cestaria ao trabalho em pele e pintura. A oficina contará também com a participação de associações e projetos locais, entre os quais a DesActo, ligada ao teatro, e a associação de jovens Alti Arte Coletivo. “Os artesãos que fizeram da arte vida vão estar na Oficina”, explica à NiG o presidente da Junta de Freguesia da Guarda, Carlos Monteiro.

A ATO será ainda casa de um projeto dinamizado por António Gonçalves, chef e gerente do Restaurante Colmeia, na Guarda, que ficará responsável por workshops ligados ao pão, ao café e a todos os produtos alimentares. O gastrónomo terá três espaços na Oficina: um dedicado aos workshops, outro à degustação e um café, onde quem não participar nas atividades poderá, ainda assim, provar tudo o que é feito nelas. O Colmeia foi, a 6 de março deste ano, eleito o melhor restaurante tradicional do País. O prémio foi atribuído pela revista “Grandes Escolhas”, numa gala realizada no Centro de Congressos do Estoril.

A Oficina ATO terá também uma forte componente prática. Os visitantes não ficarão limitados a ver o trabalho dos artesãos, uma vez que estão previstos workshops gratuitos. “Haverá atividades relacionadas com as artes, gastronomia e os produtos alimentares, desde workshops de pão e café”, explica Carlos Monteiro. A participação será gratuita, embora algumas atividades possam exigir inscrição prévia.

“Além da zona destinada aos artesãos, está prevista uma pastelaria com fabrico próprio, pensada para valorizar produtos locais, uma sala de convívio e uma área dedicada à tecnologia.” Já a componente tecnológica estará ligada sobretudo às artes visuais, com a intenção de explorar a pintura e a fotografia através de ferramentas digitais. Segundo Carlos Monteiro, pretende-se promover a ligação entre a arte tradicional e a vertente digital e tecnológica. A dinamização destas áreas ficará também a cargo dos artistas e associações, que poderão desenvolver formações e várias atividades. Para o autarca, a recuperação das antigas galerias pretende responder a vários objetivos: “É um espaço de partilha, um espaço de criatividade, de envolvimento das artes, tradições e ofícios”.

O responsável sublinha ainda que a Oficina ATO não deve ser entendida como um projeto terminado no dia da inauguração. “A abertura dos espaços é apenas um primeiro passo para desenvolver um processo”, afirma. “A intenção é criar uma programação regular, sobretudo aos fins de semana e feriados, capaz de levar moradores e visitantes ao centro histórico e, simultaneamente, contribuir para a dinamização do comércio local.”

O momento da abertura terá ainda uma particularidade: todos os que estiverem no local poderão deixar a sua assinatura num painel produzido por artesãos da Guarda, assinalando simbolicamente a abertura do novo espaço.

Trata-se de um novo capítulo para um espaço onde funcionaram as Galerias Charlot, um projeto comercial que acabaria por perder dinâmica, sobretudo pela falta de clientes e as dificuldades financeiras que levaram ao encerramento em 2000. A nova utilização pretende, por isso, recuperar não apenas o edifício, mas também o movimento naquele ponto da cidade. “As Galerias Charlot vão tornar-se, uma vez mais, um ícone da Guarda mas, desta vez, com um propósito diferente”, assume.

ARTIGOS RECOMENDADOS