Como já acontece há quase uma década, por esta altura, novas paredes das ruas da Guarda ganham uma nova cor, que é como quem diz, novos murais que vão despontando à boleia do Simpósio Internacional de Arte Contemporânea (SIAC). A 9.ª edição decorreu entre 11 e 19 de junho e representou a chegada de três novas obras de arte urbana, sendo que duas já estão concluídas e uma encontra-se ainda em fase de execução.
Um dos novos trabalhos é assinado por André Silveira, conhecido como Dub, o único artista natural do Porto presente nesta edição, e está localizado junto à rotunda do 25 de Abril, na Avenida Monsenhor Mendes do Carmo. O outro mural já terminado é da autoria do guardense Nuno Aparício, mais conhecido como Nuno Miles. O artista de 29 anos transformou uma das paredes junto à Biblioteca Municipal numa obra tridimensional onde se vê uma rapariga rodeada de livros.
Conhecido pelo estilo hiper-realista e pela capacidade de transformar elementos da identidade local em obras de grande impacto visual, Nuno Aparício divide o seu trabalho entre a pintura de atelier e os murais de grande escala. Em 2024 alcançou projeção internacional com o mural “Touro Raiano”, pintado em Alfaiates, no concelho do Sabugal, uma obra inspirada na força e na cultura da região raiana que foi distinguida pela Street Art Cities como um dos melhores murais do mundo.
O terceiro mural previsto para esta edição é da autoria de Telmo Lourenço, também ele guardense.
Ao longo dos últimos anos, o SIAC tem deixado uma marca visível na paisagem da Guarda e contribuído para a construção de um roteiro artístico ao ar livre que pode ser descoberto em diferentes ruas e espaços públicos. Espalhados pela cidade, estes murais representam histórias, memórias, símbolos e características da identidade local, o que estabelece uma ponte entre o passado e o presente. 
O novo mural de Nuno Miles
Desde a primeira edição que o simpósio tem promovido dezenas de murais e intervenções artísticas permanentes no espaço público e muitas destas obras inspiram-se na cultura, nas tradições, nas paisagens e nas figuras ligadas à história guardense, transformando fachadas e paredes em pontos de interesse cultural e turístico.
Durante nove dias, a arte voltou a tomar conta das ruas, dos museus, dos monumentos e dos espaços públicos da cidade. Organizado pelo Museu da Guarda, o SIAC reuniu mais de 30 artistas de 13 países sob o tema “Entre o Lugar e o Horizonte”. A Guarda recebeu mais de 30 artistas de 13 países, desde Portugal, Hungria, Ucrânia, Angola, Espanha e Brasil, nas áreas da pintura, escultura, cerâmica e fotografia.
O simpósio foi também uma montra para o talento local e regional. A convite do Museu da Guarda, participaram artistas naturais da cidade, como Beatriz Vieira da Silva, Lara Amaral, Nuno Aparício e Telmo Lourenço, reforçando a ligação do evento ao território.
Entre os convidados internacionais estiveram nomes como Peter Balikó, da Hungria, Veronika Blyzniuchenko, da Ucrânia, Blackson Fernando Afonso, de Angola, José Luís Hinchado Morales, de Espanha, e Luísa Leão, do Brasil. O objetivo passava por reunir vários nomes conhecidos nas artes, mas em diferentes ramos.
O programa dividiu-se em dois momentos. Entre 11 e 19 de junho, foi possível acompanhar ao vivo a criação dos murais, pinturas e esculturas no Museu da Guarda. Já a inauguração da exposição dos trabalhos aconteceu na passada quinta-feira, 18 de junho, numa mostra que reúne cerca de 30 obras, entre pintura, escultura e fotografia.
Ao longo dos nove dias, houve ainda exposições, oficinas, palestras, visitas comentadas e momentos culturais no Museu da Guarda, na Torre de Menagem, na capela do Solar dos Póvoas, no anfiteatro da Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, no Campus Internacional de Escultura Contemporânea, no Teatro Municipal, na ExpoEcclesia e na Póvoa do Mileu. A grande vantagem do SIAC está, precisamente, nesta capacidade de fazer da arte uma experiência acessível e participativa, o que dá à cidade um maior destaque no que diz respeito à cultura.
O programa incluiu também um curso de vidragem de cerâmica, orientado por Pedro Rafael, e outro de arte urbana conduzido pelo artista guardense Desy CXXIII. Houve ainda palestras de Cristina Neiva Correia, Pedro Renca, coordenador do projeto Casa de Artes da ULS de Coimbra, e Nuno Horta, designer e artista visual.
A música também fez parte do simpósio, com “O Lugar é Nosso”, de Tiago Sami Pereira e convidados, o recital de guitarra clássica de Diogo Andrade, o projeto “Beat no Museu”, com DJ B. Riddim e Maze, e a atuação do Trio Allegro no encerramento.
A primeira edição do SIAC aconteceu em 2016, com a missão de aproximar a arte contemporânea das pessoas e criar um espaço de encontro entre artistas e instituições. O simpósio privilegia a proximidade e a partilha, o que permite que o público acompanhe os processos criativos em tempo real, e tenha a oportunidade de falar com os artistas e participar ativamente em diversas atividades. Tudo isto, tornou-se uma das imagens de marca do projeto, e contribuiu para desmistificar a arte contemporânea e torná-la mais próxima de quem aprecia arte.
Além de valorizar a arte produzida no interior, que é sempre mais desvalorizado, o evento atrai visitantes de dentro e de fora do País. Para a Guarda, o SIAC representa hoje uma plataforma de valorização do território, de promoção turística e de afirmação da cidade no panorama cultural nacional. Ao convidar artistas de outros países, o simpósio contribui para dinamizar a economia local, promover o património histórico e reforçar a imagem da cidade como um destino criativo e cultural.
Do ponto de vista cultural, o impacto do evento ultrapassa as fronteiras da Guarda. Ao promover o intercâmbio entre artistas nacionais e internacionais, estimular a participação de todos os guardenses e criar oportunidades de acesso à cultura para diferentes públicos, o simpósio contribui, não só para uma sociedade mais criativa, bem como inclusiva.








