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Lembra-se do miúdo de “Baby Shark”? É a nova estrela do K-pop

"Para mim, não é um passado que queira deixar para trás", diz o artista que tem agora 17 anos.

Há dez anos, Park Geonroung era apenas um miúdo de sete anos a dançar ao lado de um tubarão amarelo num cenário que, aos seus olhos, parecia gigante. Não fazia ideia que aquelas imagens iriam transformar-se no vídeo mais visto de sempre no YouTube, com 17,2 mil milhões de visualizações. Agora, aos 17 anos, o rapaz conhecido em todo o mundo como o “Baby Shark Boy” está de volta e quer ser o novo ídolo do K-pop.

Apesar da dimensão do fenómeno, Park diz ao jornal britânico “The Guardian” que crescer como “o rapaz do ‘Baby Shark’” foi bastante mais normal do que se poderia imaginar. Os colegas de escola sabiam que era ele quem aparecia no clipe e achavam a situação “fixe”, mas, fora isso, era tratado como qualquer outro aluno.

A música, contudo, ficou-lhe na cabeça durante algum tempo depois das gravações. Park conta que chegou a dar por si a cantarolá-la “sem sequer perceber”. A ironia é que, apesar de ser uma das caras mais reconhecidas do vídeo, não era a sua voz que se ouvia na versão original. Agora quer mudar essa percepção. “Quero partilhar a minha própria voz e as histórias que escrevi”, afirma.

É isso que está a fazer com “WAVE”, o primeiro single de Park sob o nome artístico Baby Shark Boy. O tema foi lançado a 20 de agosto e conta com a participação de Jooheon, membro do grupo Monsta X. O conjunto sul-coreano também ajudou a popularizar o fenómeno quando os seus elementos reproduziram a coreografia de “Baby Shark” durante o auge da viralidade da canção.

A música começa com a melodia familiar de “Baby Shark”, antes de se transformar numa faixa de electropop com influências de trap. Park participou na escrita da letra, tornando o tema numa espécie de retrato da passagem da infância para uma nova fase da vida. Para o jovem cantor, a ligação à música infantil não é uma coincidência.

“Para mim, ‘Baby Shark Dance’ foi a primeira onda que começou há dez anos. Essa pequena onda cresceu e tornou-se em algo muito maior do que alguma vez poderia ter imaginado, e sinto que cresci com ela”, explica.

A ideia de pegar na personagem que o tornou famoso e transformá-la num ponto de partida para uma carreira musical também tem um significado especial. “Achei divertido e significativo pensar no rapaz que dançava aquela música quando era pequeno, que cresceu e agora partilha uma nova canção com a sua própria voz”, acrescenta.

O fenómeno que mudou a vida de Park começou muito antes de ele entrar em cena. “Baby Shark” é uma canção infantil associada a cânticos de grupo que circulavam em campos de férias norte-americanos desde, pelo menos, os anos 1970. A versão que se tornou famosa foi criada pela empresa sul-coreana Pinkfong. A primeira versão animada foi publicada em 2015, seguindo-se o vídeo com a coreografia em 2016.

O verdadeiro boom chegou em 2017, quando o desafio #BabySharkChallenge se tornou viral na Indonésia. Depois, várias estrelas de K-pop ajudaram a levar a música para outros públicos, entre elas Blackpink, Twice e Girls’ Generation.

Em 2019, “Baby Shark” chegou ao 32.º lugar da Billboard Hot 100, a maior tabela de canções nos Estados Unidos, e ao sexto lugar no top de singles do Reino Unido. Nesse mesmo ano, a faixa tornou-se ainda uma das utilizadas pela equipa de baseball Washington Nationals, durante o percurso que terminou com a conquista do troféu mundial.

A The Pinkfong Company descreve o novo projeto de Park Geonroung como uma história de crescimento real, e não apenas como a estreia convencional de mais um artista de K-pop. A empresa prepara ainda um documentário sobre o percurso do artista e a criação de “WAVE”. Também estão a ser estudadas novas colaborações, incluindo uma possível participação num filme de “Baby Shark” previsto para o final de 2026. “Para mim, não é um passado que queira deixar para trás”, diz ao meio britânico.

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