“A Guardiã da Estrela”, o título do novo guia da Guarda, resulta da iteração de várias ideias iniciais, que acabaram por se fixar no “atributo que melhor expressa a essência do município”. A escolha de uma expressão que “caracteriza a Guarda” procura uma identificação imediata entre o título e a cidade, criando uma relação simbólica que antecipa ao leitor aquilo que encontrará ao folhear as 264 páginas.
Quanto à capa, procurou-se “fugir ao óbvio”, porém, sem desrespeitar o território que representa. Diogo Carvalho, de 31 anos, responsável pelos conteúdos escritos do livro, revela que se trata do “primeiro guia Foge Comigo com uma pessoa na capa”. Trata‑se de uma decisão consciente – colocar uma figura humana na capa acrescenta dimensão e proximidade, permitindo que o leitor perceba a região não só como conjunto de edifícios e pontos de interesse, mas como espaço vivido por pessoas.
Fundado em 2012, o projeto Foge Comigo construiu um percurso que o consolidou como referência na divulgação das cidades portuguesas, com especial atenção ao interior do País. Sediado em Vila de Barba, no concelho de Santa Comba Dão, a editora conta com uma equipa estável de oito membros dedicados à investigação, produção de conteúdos e edição de guias que dão a conhecer o património, a identidade e o potencial turístico das localidades que escolhem apresentar. Ao longo dos seus 13 anos de existência já publicou 17 guias, sendo o mais recente inteiramente dedicado à Guarda — considerada a cidade mais alta de Portugal.
Além do apelo estético da obra, o objetivo é dar a conhecer a região “logo à primeira vista”, graças às imagens pela equipa da Foge Comigo. A capa, o título e o layout interior trabalham em conjunto para comunicar não só informação prática — rotas, horários, contactos — mas também para transmitir intangíveis como o ambiente, o ritmo e as marcas identitárias da Guarda. Essa intenção pedagógica é parte integrante do compromisso do Foge Comigo: cada guia é um convite à descoberta cuidadosa e respeitosa, pensado para leitores, viajantes, jornalistas, agentes locais e decisores.
A escolha da Guarda como objeto do mais recente guia decorre de várias motivações convergentes. Em primeiro lugar, a cidade foi escolhida pela vontade de dar a conhecer um território “em constante evolução” — uma realidade dinâmica, em transformação, onde se cruzam património histórico, desenvolvimento urbano e iniciativas locais com potencial de projeção. Em segundo lugar, a escolha beneficiou da oportunidade criada pela parceria com a Câmara Municipal da Guarda — um apoio institucional que facilitou contactos, investigação de campo e a logística necessária para produzir um guia com rigor e qualidade. A colaboração institucional permitiu ainda que o lançamento do guia tivesse lugar num momento simbólico e de impacto local – a apresentação no Dia Nacional do Empresário, ocasião escolhida para impulsionar a cidade e assinalar o trabalho conjunto entre o projeto e a autarquia.
Diogo Carvalho sublinha outras razões que pesaram na decisão, como “a importância da localização, pelo património e pelo potencial ponto turístico”. A Guarda ocupa um lugar geográfico e simbólico relevante no contexto nacional, tanto pela altitude que a caracteriza quanto pela sua posição estratégica em termos de acessos e paisagens. O património arquitetónico e histórico, bem como as paisagens naturais envolventes, oferecem múltiplas camadas narrativas que tornam a cidade um caso de estudo apetecível para quem procura contar histórias. Além disso, a perspetiva de um potencial incremento turístico, compatível com a salvaguarda dos valores locais, foi decisiva para integrar a Guarda na lista de destinos a divulgar.
O conteúdo do guia foi produzido de forma deliberada e atenta — as escolhas sobre o que incluir partiram sempre dos pontos de interesse da cidade, suportadas por investigação rigorosa e por contacto direto com as pessoas que vivem e trabalham na Guarda. A pesquisa complementou este trabalho de campo, cruzando fontes históricas, estudos locais e documentação disponível para fundamentar descrições, rotas e sugestões práticas presentes no guia, no qual, um “Papa-Figos” é a personagem principal que viaja, através do livro, e conta a história da região.

Para organizar o material e estruturar o guia de forma clara e útil ao leitor, a equipa fez um esforço por identificar qual deveria ser o ponto de partida. Esta reflexão não foi apenas editorial, mas também estratégica – “compreender que marcas da cidade serviriam como fio condutor foi fundamental para facilitar a compreensão do território”. Esta lógica de ponto de partida ajuda o visitante ou leitor a reconhecer padrões urbanos, elementos identitários e recursos que compõem a experiência de percorrer a cidade — desde o traçado das ruas e as praças até monumentos, miradouros e equipamentos culturais. Ao definir um ponto de partida coerente, o roteiro torna-se uma ferramenta prática que orienta o percurso e revela as camadas da cidade e da região de forma sequencial e acessível.
O lançamento aconteceu no Dia Nacional do Empresário, 25 de novembro, data com um simbolismo adicional. Ao apresentar o guia num evento ligado à iniciativa empresarial, a Foge Comigo quis sublinhar a relação entre cultura, turismo e desenvolvimento local. A parceria com a Câmara Municipal, além de ter facilitado a criação da obra, também realçou a importância de estabelecer alianças para potenciar projetos que valorizem o território.
O guia é, no fundo, uma síntese da filosofia “documentar, promover e inspirar o cuidado pelo território”. A escolha criteriosa dos conteúdos, a atenção às vozes locais, a preocupação com a organização do material e a imagem final — inclusiva e representativa — reafirmam que o compromisso da Foge Comigo não é apenas dar a conhecer destinos, mas contribuir para serem entendidos como “lugares vivos, com passado, presente e futuro”.
O “Guarda — A Guardiã da Estrela” custa 16€ e pode ser adquirido na página da Foge Comigo.

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