Frank Castle não é um super-herói tradicional. Não tem poderes, não usa fatos tecnológicos nem tenta salvar o mundo com discursos morais. Conhecido como O Justiceiro, é um ex-militar consumido pela morte da mulher e dos filhos, que combate o crime com métodos violentos. Agora, a personagem regressa num episódio especial marcado por trauma, sangue e culpa.
“O Justiceiro: Uma Última Morte” estreou na passada quarta-feira, 13 de maio, no Disney+ e funciona como ponte para o próximo filme do universo Marvel, “Homem-Aranha: Um Novo Dia”, que chega aos cinemas a 30 de julho.
Com cerca de 48 minutos, o episódio especial volta a colocar Jon Bernthal no papel de Frank Castle, personagem que interpretou pela primeira vez na segunda temporada de “Demolidor”, da Netflix, em 2016. Desde então, tornou-se uma das figuras mais elogiadas do lado mais sombrio do universo da Marvel.
“Frank procura encontrar um propósito para além da vingança, quando uma força inesperada o arrasta novamente para o combate”, resume a sinopse. O episódio foi escrito pelo próprio Bernthal em conjunto com o realizador Reinaldo Marcus Green, com quem já tinha trabalhado em “King Richard” (2021) e “We Own This City” (2022).
A história decorre depois dos acontecimentos da primeira temporada de “Demolidor: Nascer de Novo” (2025). Frank Castle está isolado, emocionalmente destruído e cada vez mais consumido pelas memórias da mulher, dos filhos e dos antigos companheiros de guerra. Ao mesmo tempo, Nova Iorque mergulha no caos depois da queda da família criminosa Gnucci, eliminada pelo próprio Justiceiro.
Este episódio especial acompanha precisamente essa descida ao limite psicológico do protagonista. Frank começa a ter alucinações constantes, vê fantasmas do passado e perde completamente o rumo. Tudo muda quando Ma Gnucci, matriarca da família mafiosa interpretada por Judith Light, coloca uma recompensa pela sua cabeça e transforma todo o bairro nova-iorquino numa caça ao homem.
A partir daí, o episódio mergulha num festival de violência brutal, com perseguições, explosões, facadas e dezenas de confrontos sangrentos. Pelo meio, Castle acaba também por redescobrir aquilo que o move: proteger os inocentes. É precisamente esse novo propósito que prepara o terreno para a sua entrada em “Homem-Aranha: Um Novo Dia”.
No Rotten Tomatoes, “O Justiceiro: Uma Última Morte” soma 84 por cento de aprovação da crítica e 93 por cento do público. As críticas destacam sobretudo o tom mais sombrio e violento da produção.
A “Variety” descreve o episódio especial como “o projeto mais violento que a Marvel alguma vez fez”, mas sublinha que por trás da brutalidade existe “um poderoso estudo sobre stress pós-traumático e luto”. A publicação elogia particularmente Jon Bernthal, defendendo que esta é “uma das interpretações mais singulares de todo o universo Marvel”.
Já o “TV Insider” destaca o lado emocional da narrativa e a forma como o episódio prepara a próxima fase da personagem. O site escreve que Frank Castle “descobre finalmente que a sua guerra nunca foi apenas sobre vingança, mas sobre proteger quem não se consegue proteger sozinho”, algo que servirá de base para a sua entrada no próximo filme do Homem-Aranha.
O “Collider” considera que esta é “a versão mais sombria de Frank Castle até agora” e elogia o desempenho de Bernthal, que consegue tornar “frescas emoções e traumas que a personagem já carrega há mais de uma década”. Ainda assim, aponta algumas críticas à estrutura do episódio, considerando que parte da narrativa “repete demasiado o trauma da personagem”.
Também o “RogerEbert.com” elogia a componente de ação e diz que o especial “transforma finalmente o Justiceiro no vigilante brutal que os fãs conhecem dos comics”. No entanto, a publicação considera que o formato de apenas 48 minutos acaba por limitar a história e dá a sensação de ser “uma espécie de teste para um futuro filme do Justiceiro”.
A reação positiva surge depois de anos de incerteza em torno da personagem. Quando as séries da Marvel produzidas pela Netflix foram canceladas, muitos fãs pensaram que Frank Castle nunca regressaria. Mas o sucesso de “Demolidor: Nascer de Novo” e a popularidade contínua de Jon Bernthal acabaram por abrir novamente a porta ao Justiceiro.
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