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Sonhava ser inspetora da judiciária. Hoje é uma das fadistas mais procuradas na Guarda

A fadista venceu inúmeros prémios e brilhou na televisão nacional, mas é para os portugueses e na sua região que prefere atuar.

  1. Começou a cantar temas de Amália Rodrigues ao lado da mãe e do avô, ambos fadistas amadores. Hoje, Raquel Maria soma dezenas de concursos e vários prémios a nível nacional, o Prémio Voz Revelação do Fado, conquistado em 2022.

Nasceu e cresceu em Zebras, uma pequena aldeia no Fundão, que teve um papel determinante no seu percurso. A ligação ao fado começou cedo, em ambiente familiar. “A minha mãe era fadista amadora, o meu avô também cantava e eu gostava de os ouvir até que decidi começar a cantar com eles.” A primeira música que interpretou, foi “Estranha Forma de Vida”, de Amália Rodrigues.

“A Amália é a minha grande referência. Ainda estava na barriga da minha mãe e já a ouvia. Até para adormecer, a minha mãe cantava-me sempre os fados dela”, recorda. “Se a Amália não tivesse existido, garantidamente eu não era fadista.”

Apesar disso, o percurso podia ter sido outro, até porque desde miúda que sonhava fazer investigação criminal na Polícia Judiciária, mas admite que era uma “estudante preguiçosa”.

Com uma média baixa, decidiu que Filosofia seria a única hipótese de cumprir a obrigação de seguir para a faculdade. “Não ir não era opção”, conta sobre a decisão que ainda tinha o ingresso na PJ como meta final.

A carreira começou há cerca de oito anos e foi crescendo através de atuações locais. “Em 2018 comecei a trabalhar com o grupo de cavaquinhos da Póvoa de Mileu”, recorda sobre o momento que considera “ter sido decisivo” para ganhar visibilidade, sobretudo na região da Guarda.

Outro local marcante foi Porto da Carne, onde começou a atuar todos os verões. Ainda assim, os primeiros passos foram dados em Castelo Branco, no grupo de cavaquinhos da cidade. Mas o dia da consagração terá tido lugar em 2018, ano em que venceu o prémio Amália Rodrigues, na Guarda.

O concurso, realizado no Largo da Capela do Calvário, no Fundão, procura descobrir novos talentos e homenagear a fadista. O galardão foi-lhe entregue por Joel Pina, “um dos músicos mais emblemáticos da história do fado”.

Nesse mesmo ano, participou também no programa “All Together Now”, transmitido na TVI. Atuou na Altice Arena perante um painel de 100 jurados e chegou à semifinal. “Acredito que esta atuação me ajudou a vencer, em 2022, o prémio Voz Revelação do Fado, na Gala de Fado Voz do Operário”, conta.

O formato do concurso era simples: conquistar o maior número possível de jurados. “Quanto mais jurados de pé, maior a pontuação.” Raquel conseguiu que 47 se levantassem ao ouvi-la cantar “Estranha Forma de Vida”. 

Atualmente, é fadista residente em vários espaços na Guarda. “Só para o verão já tenho vários concertos marcados”, sublinha. Apesar de receber convites para atuar fora, mantém uma escolha clara: “Gosto de cantar aqui, onde comecei a dar os meus primeiros passos na música.”

Apesar dos prémios e da visibilidade nacional, a fadista continua a privilegiar a sua região. “Ganho mais aqui do que se estivesse em Lisboa ou no Porto”, diz, contrariando o que poderia ser uma visão menos atenta ao fenómeno. “É para o povo português que eu gosto de cantar.”

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