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“Vamos esquecê-la em breve”, disse Carlos. 7 revelações polémicas do irmão da princesa Diana

Charles Spencer recorda conversas com o atual rei Carlos III, a reação de Isabel II à morte da nora e o caos em torno do funeral no livro “O Canto do Cisne: Diana, a Minha Irmã”.

“Vamos esquecê-la em breve.” É uma das frases mais duras que Charles Spencer garante ter ouvido do atual rei Carlos III, seu ex-cunhado, nos dias que se seguiram à morte da irmã, Diana. Quase 30 anos depois do acidente em Paris que matou a chamada “princesa do povo”, o seu irmão mais novo decidiu contar a sua versão sobre o que aconteceu dentro da família naquela semana — e não poupou a monarquia britânica.

“O Canto do Cisne: Diana, a Minha Irmã” chega esta terça-feira, 22 de setembro, às livrarias portuguesas. Ao longo de 368 páginas, Charles Spencer recupera a infância dos dois, o casamento da irmã, o divórcio, os últimos anos da princesa e os dias que se seguiram à sua morte, a 31 de agosto de 1997.

É a primeira vez que o nono conde Spencer, hoje com 62 anos, escreve de forma tão extensa sobre a irmã. O livro surge na aproximação ao 30.º aniversário da morte de Diana e contém vários relatos que já estão a provocar polémica no Reino Unido.

Entre eles, estão conversas privadas que Spencer diz ter mantido com o então príncipe Carlos, uma alegada reação de Isabel II ao acidente e uma revelação que Diana lhe terá feito sobre o marido. Algumas das afirmações levaram mesmo o Palácio de Buckingham a reagir.

“Vamos esquecê-la em breve”

É provavelmente a acusação mais forte do livro. Charles Spencer conta que, poucos dias depois da morte da irmã, discutiu ao telefone com Carlos sobre a participação de William e Harry no cortejo fúnebre.

Os jovens tinham 15 e 12 anos, respetivamente, e acabariam por caminhar atrás do caixão da mãe pelas ruas de Londres. Spencer afirma que era contra a presença dos sobrinhos naquela ocasião, sobretudo de Harry, e que discutiu a decisão com o pai das crianças.

Segundo a versão apresentada no livro, Carlos perdeu a paciência durante a conversa. Antes de desligar, terá dito: “Vamos esquecê-la em breve.”

Spencer garante que, ele próprio, nunca esqueceu aquelas palavras. Quando foi confrontado recentemente com a reação de Buckingham, voltou a defender a sua versão: “Foram exatamente essas as palavras que ele disse.”

O Palácio de Buckingham tomou a decisão pouco habitual de responder às acusações. Sem negar a frase, uma fonte do Palácio argumentou que o luto entre irmãos pode afetar a razão, o julgamento e a memória de formas que outras pessoas não reconhecem.

Spencer rejeitou essa explicação e relaciona até uma das frases mais famosas do discurso que fez no funeral de Diana com aquela conversa. Quando afirmou, na Abadia de Westminster, que a memória da irmã nunca seria apagada, diz agora que estava também a responder ao que ouvira de Carlos.

A defesa dos sobrinhos no funeral de Diana

Uma das maiores acusações de Spencer prende-se, então, com o funeral de Diana. O conde conta que tentou impedir que William e Harry fossem obrigados a caminhar atrás do caixão da mãe, à vista de todos, num sofrimento tornado público quando ainda eram menores de idade.

Quando o coronel Malcolm Ross, responsável por lhe transmitir as decisões do Palácio de Buckingham, lhe comunicou que os dois jovens príncipes participariam no cortejo, Spencer respondeu: “Bem, isso não vai acontecer”. No livro, descreve a proposta como “absolutamente bárbara e fora de questão”.

Tinha reservas em relação aos dois, mas estava sobretudo preocupado com Harry, que tinha apenas 12 anos. Spencer considerava que colocar os sobrinhos naquela situação, perante milhões de pessoas, era errado e garante que Diana “nunca teria querido isso”.

A oposição levou a uma discussão com Carlos. Quando o então príncipe de Gales lhe recordou que tinha participado no funeral de Lord Mountbatten, Spencer respondeu: “Mas tinha trinta anos, Sir, e ele não era a vossa mãe.”

William e Harry acabaram, como se sabe, por seguir atrás do caixão no cortejo fúnebre. Na véspera do funeral, Spencer diz ter recebido a garantia de que os dois queriam caminhar atrás do caixão desde que o avô, o príncipe Filipe, os acompanhasse. Aceitou, mas deixou uma condição por escrito: “desde que não estejam a ser forçados”.

Os dois príncipes caminharam atrás do caixão ao lado do pai, do avô e do próprio Charles Spencer. Décadas mais tarde, Harry também falou do impacto daquele momento. Nas memórias do livro que lançaou, “Na Sombra”, em 2023, recordou o cortejo e a experiência de viver o luto da mãe perante o mundo inteiro.

Carlos parecia ter “ganhado a lotaria”

A primeira conversa entre os dois depois da morte de Diana também surge no livro. Spencer estava na África do Sul quando recebeu a notícia do acidente. Diana tinha morrido no Hospital Pitié-Salpêtrière, em Paris, França, depois do acidente no túnel da Ponte de l’Alma.

Quando falou por telefone com Carlos, ficou surpreendido com aquilo que interpretou como uma estranha leveza na voz do então príncipe. No livro, descreve-o como alguém que parecia “eufórico, como se tivesse ganhado a lotaria”.

É uma interpretação de Spencer sobre o tom da conversa, e não existem gravações conhecidas que permitam confirmar como Carlos falou naquele telefonema. Questionado sobre a descrição numa entrevista à BBC, o irmão de Diana suavizou a critica. Disse ter sentido “uma leveza no tom” de Carlos que o incomodou naquele momento, mas manteve que escreveu o episódio tal como o recorda.

“O que é que ela anda a fazer agora?”

Isabel II também não escapa às memórias de Charles Spencer. Segundo o autor, quando chegaram a Balmoral as primeiras notícias de que Diana tinha sofrido um acidente em Paris, ainda não era conhecida a gravidade da situação. Spencer relata que a primeira reação da rainha terá sido perguntar: “O que é que ela anda a fazer agora?”

O contexto é importante. Naquele momento, segundo o relato apresentado no livro, Isabel II ainda não sabia que Diana estava mortalmente ferida. A princesa seria declarada morta algumas horas depois. A frase é apresentada por Spencer como mais um retrato da relação difícil que existia entre Diana e a família real após o divórcio de Carlos.

“O meu marido está apaixonado pelo criado”

Outra das revelações mais inesperadas do livro remonta aos últimos anos do casamento de Diana. Spencer recorda um jantar com a irmã no restaurante San Lorenzo, em Londres. Diana baixou os olhos para a mesa e anunciou-lhe que ia divorciar-se.

O irmão respondeu que teria o seu apoio, mas confessou estar preocupado com a reação pública. Foi então, segundo Spencer, que Diana lhe terá dito: “O meu marido está apaixonado pelo criado.”

O autor não apresenta provas de que essa suspeita de Diana correspondesse à realidade e a alegação nunca foi confirmada. O próprio Spencer admite não conseguir verificar aquilo que a irmã lhe disse naquele jantar. Carlos reconheceu publicamente, em 1994, que tinha mantido uma relação extraconjugal com Camilla Parker Bowles, com quem viria a casar em 2005.

Ainda assim, Spencer decidiu incluir a conversa no livro por considerar que fazia parte da forma como Diana via o casamento naquela altura.

“Ignore-me. Sou uma árvore”

Há ainda um episódio muito mais estranho passado longe das câmaras. Depois do funeral público na Abadia de Westminster, Diana foi sepultada em Althorp, a propriedade da família Spencer. O momento foi reservado aos familiares e amigos próximos.

Spencer conta que, durante a cerimónia, Carlos se colocou debaixo de uma árvore. Quando o irmão de Diana se aproximou, o então príncipe terá procurado aliviar a tensão com uma frase insólita: “Ignore-me. Sou uma árvore.”

O comentário surge no livro entre recordações de uma semana marcada por discussões sobre o funeral, a presença dos príncipes no cortejo e a relação tensa entre os Spencer e os Windsor.

Diana estaria apaixonada por outro homem

Spencer também revisita a vida amorosa da irmã nos meses anteriores à morte. A princesa morreu ao lado de Dodi Al-Fayed, um produtor de filmes egípcio que na altura do acidente tinha 42 anos, com quem mantinha uma relação naquele verão. No entanto, o irmão acredita que Dodi não seria o homem por quem a princesa estava apaixonada.

“Na minha opinião, ela estava profundamente apaixonada por outra pessoa”, escreve Spencer. O autor não revela a identidade desse homem, mas admite acreditar que a aproximação a Dodi poderá ter servido, pelo menos no início, para lhe provocar ciúmes.

Trata-se da interpretação pessoal de Spencer sobre a vida da irmã, e não de uma conclusão comprovada. O próprio autor reconhece que Diana mantinha partes da vida sentimental longe da família e que nem sempre sabia o que se passava.

O conde admite também que mudou de opinião sobre Dodi. No discurso que fez no funeral, decidiu não mencionar o companheiro de Diana. Quase três décadas depois, reconhece que se arrepende dessa escolha.

O “Canto do Cisne” de Charles Spencer

O título não foi escolhido por acaso. Charles Spencer apresenta estas memórias como uma espécie de última grande declaração pública sobre a irmã. Com o 30.º aniversário da morte de Diana a aproximar-se, voltou a receber pedidos para participar em documentários e entrevistas. Em vez de continuar a responder separadamente às mesmas perguntas, decidiu reunir as recordações num livro.

“Quando me perguntam ‘Como foi crescer com Diana?’, o primeiro pensamento que me ocorre sempre é: ‘Mas eu não sei como teria sido crescer sem ela’”, escreve. Os dois eram os filhos mais novos da família Spencer e tratavam-se pelas alcunhas “Duch” e “Carlos”. Cresceram juntos, enfrentaram o divórcio dos pais e mantiveram uma relação próxima mesmo depois de Diana se ter tornado uma das mulheres mais famosas do mundo.

É também essa proximidade que torna “O Canto do Cisne” diferente das centenas de livros já publicados sobre a princesa — e que obriga a ler algumas das suas revelações pelo que são: memórias pessoais de um irmão sobre acontecimentos ocorridos há quase três décadas.

O Palácio de Buckingham já deixou claro que contesta a forma como alguns desses momentos são recordados. Spencer, por seu lado, insiste que escreveu aquilo que viu, ouviu e sentiu.

“O Canto do Cisne: Diana, a minha irmã” é publicado esta terça-feira pela Penguin em Portugal. Tem 368 páginas e custa 25,45€.

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