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Fibermaxxing: tendência viral que promove o consumo excessivo de fibra tem vários riscos

“Existe uma diferença entre consumir fibra adequadamente, que é benéfico, e transformá-la num objetivo obsessivo, que passa a ser problemático”, refere a nutricionista.

Começou com vídeos de pequenos-almoços carregados de sementes de chia, bowls de aveia e wraps integrais. Agora, os conteúdos sobre pratos ricos em fibra somam milhões de visualizações no TikTok, transformando este nutriente na grande estrela de um regime alimentar considerado saudável. A lógica parece simples: quanto mais, melhor. No entanto, os especialistas avisam que esta tendência nem sempre é tão benéfico como parece.

O termo “fibermaxxing” nasceu da cultura de otimização extrema das redes sociais — a mesma que popularizou tendências como o “sleepmaxxing” ou o “looksmaxxing”, com dicas para dormir o melhor possível ou potenciar ao máximo a aparência física — e consiste em aumentar ao máximo o consumo de fibra ao longo do dia.

Em muitos casos, os criadores de conteúdos mostram refeições calculadas que ultrapassam largamente as doses recomendadas, recorrendo a suplementos, produtos enriquecidos e receitas virais com dezenas de gramas de fibra.

A nutricionista Bárbara Plácido explica que a esta “moda alimentar” parte de um princípio correto, mas levado ao exagero. “É uma tendência que ficou popular nas redes sociais como uma versão, ‘otimizada’ da alimentação saudável”, conta à NiT.

A promessa inclui benefícios como melhor controlo da glicemia, maior sensação de saciedade e apoio ao processo de perda de peso. Ainda assim, faz um alerta importante. “Existe uma diferença entre consumir fibra adequadamente, o que é extremamente benéfico, e transformar fibra em excesso num objetivo obsessivo, que passa a ser problemático”, sublinha.

E a verdade é que a fibra tem, de facto, um papel fundamental no organismo. Presente em alimentos como fruta, vegetais, leguminosas, cereais integrais e aveia, ajuda a regular o trânsito intestinal, contribui para a saúde cardiovascular e prolonga a sensação de saciedade. Além disso, vários estudos associam uma ingestão adequada de fibra a um menor risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

“A fibra alimentar é uma das componentes mais importantes de uma alimentação saudável”, afirma a nutricionista. “Melhora a saúde intestinal, a saciedade, controla a glicemia, contribui para a saúde cardiovascular.” O problema começa quando a lógica das redes sociais transforma uma recomendação nutricional equilibrada numa competição.

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Muitos vídeos incentivam consumos diários muito acima do recomendado, sem qualquer acompanhamento profissional. Segundo Bárbara, a dose diária indicada para adultos ronda as 25 a 30 gramas de fibra por dia — um valor que a maioria das pessoas nem sequer atinge.

Ainda assim, o excesso também pode trazer consequências. Embora um aumento pontual de fibra raramente represente perigo, o consumo exagerado e prolongado pode provocar vários sintomas gastrointestinais.

“Quando se aumenta muito e de uma forma alargada no tempo podem surgir gases, flatulência, distensão abdominal e desconforto gastrointestinal”, explica. E acrescenta que o cenário piora quando existem outros fatores associados, como uma ingestão insuficiente de água.

Nas redes sociais, muitos adeptos do fibermaxxing recorrem ainda a barras proteicas enriquecidas, pós de fibra e suplementos específicos para atingir números cada vez mais elevados. Mas essa estratégia também levanta preocupações. Afinal, o excesso de fibra pode interferir na absorção de alguns nutrientes essenciais, “levando a défices nutricionais”. Em casos mais extremos, acrescenta, podem surgir “situações de obstrução intestinal, desconforto intestinal crónico e até baixa ingestão energética involuntária”.

Além disto, nem todos os organismos toleram grandes quantidades de fibra da mesma forma. Pessoas com doenças gastrointestinais podem sofrer agravamentos significativos dos sintomas. “Indivíduos que possuam doenças gastrointestinais como síndrome do intestino irritável, doença de Crohn ou colite ulcerosa podem ser particularmente afetados”, realça.

Para a especialista, a abordagem mais inteligente continua a passar pelo equilíbrio e não pelo excesso. “O objetivo deverá passar por atingir uma quantidade de fibra adequada, que permita a tolerância de quem a está a consumir”, explica. Para isso, devem ser priorizados alimentos integrais como “fruta, vegetais, leguminosas e aveia, em vez de suplementos ou produtos ultraprocessados com adição de fibra”. “O consumo também deve ser variado.”

Carregue na galeria para descobrir dez alimentos ricos em fibra que deve incluir na dieta.

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