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Encerrado há 16 anos, este hotel histórico da Guarda pode finalmente reabrir

O anuncio foi feito pelo secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, durante a inauguração do Guarda Wine Fest.

Depois de mais de uma década e meia de avanços, recuos e sucessivas tentativas falhadas de recuperação, o futuro do Hotel Turismo, na Guarda, parece finalmente entrar numa nova fase. O emblemático edifício, encerrado desde 2010, já tem um novo gestor e poderá estar mais próximo de voltar a abrir portas, devolvendo à cidade uma das suas principais referências turísticas e patrimoniais.

O anúncio foi feito pelo secretário de Estado do Turismo durante a inauguração do Guarda Wine Fest, a 10 de julho. Pedro Machado revelou que o concurso público para a concessão e requalificação do imóvel foi ganho pelo Grupo Lince, empresa sediada em Braga e com experiência no setor da hotelaria e turismo.

Durante a cerimónia, Pedro Machado entregou ao presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, o despacho de adjudicação do concurso, ficando agora o processo dependente da aprovação das Finanças para avançar para a fase seguinte. Depois dessa validação, caberá ao novo concessionário apresentar o projeto de requalificação à autarquia guardense.

“O concurso está feito. Está adjudicado o contrato e o concessionário vai depois submeter o projeto à Câmara Municipal da Guarda e estou convencido que o presidente da Câmara se vai empenhar para que esta realidade aconteça o mais breve possível”, afirmou o secretário de Estado ao jornal “O Interior”.

Desde 2010 foram apresentados vários projetos e intenções para recuperar o imóvel, mas nenhum chegou a concretizar-se. Inicialmente, o edifício foi vendido pela Câmara Municipal ao Turismo de Portugal com o objetivo de ali instalar uma Escola de Hotelaria. Contudo, o projeto acabaria por ser abandonado em 2012, deixando novamente o imóvel sem utilização definida.

Mais tarde, o Hotel Turismo foi integrado no programa Reabilitação, Património e Turismo (REVIVE), criado para promover a recuperação e valorização de património público. No entanto, após as várias tentativas, nenhuma delas bem sucedidas, em 2022, o imóvel acabou por ser retirado do programa.

No ano seguinte, o edifício foi integrado na rede das Pousadas de Portugal, numa nova tentativa de encontrar uma solução para o espaço. Também esta iniciativa acabaria por fracassar, após a revogação por mútuo acordo do contrato de arrendamento entre o Turismo de Portugal e a ENATUR.

A 18 de março deste ano, Pedro Machado anunciou, durante uma reunião da Comissão da Economia e Coesão Territorial, o lançamento de um novo concurso público para a reabilitação do hotel. O governante classificou o processo como “o parto difícil de uma gravidez que já deve ter 16 anos.”

Poucos dias depois, a 27 de março, foi apresentado oficialmente um novo plano para salvar e reabrir o Hotel Turismo na Guarda. Numa sessão que contou com a presença do presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, do secretário de Estado do Turismo e do presidente do Conselho Diretivo do Turismo de Portugal, Carlos Abade, foram divulgados os principais detalhes do novo modelo de concessão.

O concurso público para o arrendamento foi lançado a 1 de abril, com um prazo de 40 dias para a apresentação de propostas. O modelo escolhido previa um contrato de arrendamento por 50 anos, com possibilidade de compra do imóvel a partir do quarto ano de exploração, uma solução considerada inovadora pelo Turismo de Portugal.

Segundo Carlos Abade, tratava-se de um procedimento já testado no mercado nacional e internacional e que poderia atrair investidores interessados em explorar o potencial turístico da cidade. O responsável destacou igualmente a escassez de camas disponíveis no concelho, considerando que “a nova unidade terá condições para alcançar elevadas taxas de ocupação e rentabilidade.”

Também Sérgio Costa assumiu uma posição de otimismo perante o processo. O autarca reconheceu que, após quase 16 anos de encerramento, “é natural que exista desconfiança entre os guardenses.” Ainda assim, garantiu que “todo o procedimento seria conduzido com transparência e rigor.”

Quanto ao posicionamento futuro da unidade, “a intenção passa por criar um hotel de gama média-alta, capaz de responder ao crescimento da procura turística na região. Nos últimos quatro anos, o número de dormidas no concelho duplicou, mas a capacidade de alojamento continua limitada”, explicou o autarca à NiG.

Atualmente, a Guarda tem de cerca de 750 a 800 camas e, com a reabertura do Hotel Turismo, esse número poderá aproximar-se das 900. Mesmo assim, o presidente da Câmara considera que “continuará a existir necessidade de aumentar significativamente a oferta de alojamento no concelho.”

A requalificação do edifício deverá prolongar-se entre 18 e 24 meses após o início das obras. Num cenário mais otimista, o hotel poderá reabrir em 2027, embora os prazos mais realistas apontem para 2028 ou 2029.

Encerrado há 16 anos, o Hotel Turismo continua a ser um símbolo da cidade e da memória coletiva dos guardenses. A sua recuperação é vista, não apenas como um investimento no turismo, mas também como um fator de dinamização económica e de valorização urbana.

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