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Esta casa rural na Guarda é feita de memórias de família e perfeita para escapar à cidade

A Quinta do Porto Country House combina peças com história, muito silêncio e uma piscina ideal para os dias quentes de verão na Beira.

Quando Bárbara Miragaia comprou a quinta na Guarda, encontrou-a completamente vazia. O que hoje se vê no interior da Quinta do Porto Country House veio quase tudo da casa da avó. “Na altura em que comprámos a casa a minha avó foi para o lar e disse-nos que podíamos levar o que precisássemos”, recorda a guardense de 34 anos. Foi assim que camas, mesas, apontamentos decorativos e várias peças de família passaram a fazer parte deste novo projeto.

A escolha acabou por encaixar no que procurava. Bárbara queria um espaço que mantivesse viva a sua ligação à Guarda, a cidade onde nasceu, mas onde já não vive, e sentiu que esta solução era “o propósito perfeito”. A isso juntou-se ainda outra herança familiar, já que a decoração guarda traços e memórias de Moçambique, onde os avós viveram, e que acabou por dar identidade à casa. No fundo, conseguiu reunir “um sonho antigo, com memórias familiares num só espaço”. O resultado é um alojamento rural com um lado muito pessoal, idealizado para ser um refúgio perfeito entre os ares calmos e puros da serra.

Bárbara viveu no concelho até aos 18 anos, antes de se mudar para Lisboa para estudar Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Hoje trabalha na capital como advogada, mas nunca perdeu a ligação às origens. Durante muito tempo, regressava regularmente à Guarda de 15 em 15 dias. Quando essas viagens começaram a ser menos frequentes, sentiu que precisava de criar uma espécie de ponte entre a vida que construiu em Lisboa e a memória da terra onde cresceu.

Não pensa regressar já em definitivo, mas admite que sair da capital é um cenário cada vez mais presente. Imagina-se, num futuro próximo, a viver num meio mais pequeno, para “reviver os tempos de infância” que “marcaram profundamente” a sua vida, “num lugar com mais calma e natureza”. Essa vontade de reforçar a ligação à terra foi decisiva para avançar. Até porque já nutria um desejo antigo de ter e gerir um alojamento local. Quando surgiu esta oportunidade, tudo pareceu encaixar. Mais do que um investimento, o projeto representa “uma paixão pela decoração e pela possibilidade de receber pessoas, para criar experiências memoráveis na terra natal”.

Ao longo destes quatro anos, Bárbara não esquece o apoio diário dos pais: “Jamais seria possível sem a ajuda dos meus pais que estão sempre presentes em cada detalhe do dia a dia.”

A história da casa começou ainda antes da compra oficial. Bárbara, em conversa com uma amiga que vivia em Vila Garcia, após lhe contar quais as características que procurava num alojamento, ficou a conhecer esta quinta. Avançou em agosto de 2022. E houve um detalhe que tornou esse período ainda mais especial: no mesmo mês em que fez a escritura, fez também a ecografia da primeira filha. A coincidência tocou-a e marcou simbolicamente o arranque desta fase. “Nessa altura fez todo o sentido”, conta.

Bárbara quis reforçar a ligação à cidade natal

A propriedade já estava reabilitada quando a adquiriu, mas isso não impediu o investimento em melhorias. Bárbara fez vários ajustes ao espaço e acrescentou uma piscina exterior, que veio completar a experiência da casa e reforçar a lógica de retiro que sempre imaginou para o projeto.

A Quinta do Porto Country House assenta na ideia de “ter uma casa única para arrendar o espaço na sua totalidade a famílias e grupos de amigos”, mas que ao mesmo tempo permita “preservar a autenticidade da construção em pedra antiga”.

Os três quartos, com cerca de 15 metros quadrados, foram equipados com camas confortáveis e sem zonas de trabalho, porque aqui a ideia é mesmo desligar. Na sala, não falta um dos elementos mais típicos das casas da Beira, a lareira. “Ainda hoje, sempre que vamos à Guarda a tradição é acender a lareira, por isso este elemento não podia faltar”, explica.

Pensada como casa de família desde o primeiro dia, a unidade funciona em regime de casa inteira, o que “permite que os hóspedes desfrutem de privacidade e exclusividade durante a sua estadia”, até porque “o espaço é todo seu.” Todos os detalhes foram idealizados por Bárbara, que quis imprimir a sua visão em cada canto e acredita que a grande diferença da Quinta do Porto está precisamente na tranquilidade que oferece, tão perto da cidade. “Só se ouvem os passarinhos e o comboio a passar duas vezes por dia”, descreve. O facto de ser uma casa pequena torna tudo mais íntimo e reforça a sensação de retiro, quase como “um verdadeiro retiro onde reconectar com o essencial, longe do caos urbano”.

A casa rústica, de piso único, tem 160 metros quadrados de área interior e cerca de 230 metros quadrados de espaço utilizável. Pode receber até seis hóspedes, distribuídos por três quartos amplos e duas casas de banho. A suite principal tem cama de casal grande, casa de banho privativa e berço, sendo “ideal para famílias com bebés”. Os outros dois quartos incluem uma cama de casal grande e duas camas individuais.

No exterior há piscina, terraço com pérgula, zona de refeições e churrasqueira. A casa está ainda equipada com eletrodomésticos, televisão e Wi-Fi gratuito. Os preços começam nos 200€ por noite para um máximo de seis hóspedes.

A cerca de 10 minutos fica o centro da Guarda, onde se pode visitar a Sé Catedral e a Torre de Menagem, com vista panorâmica sobre a cidade e a Serra da Estrela. Para quem gosta de caminhadas, os Passadiços do Mondego ficam a cerca de 30 minutos e oferecem um percurso de 12 quilómetros com cascatas, pontes suspensas e a Barragem do Caldeirão.

Carregue na galeria para conhecer o alojamento.

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