Com apenas nove anos, Rosarinho Sampaio deu por si na televisão nacional a ter que fazer uma receita com uma caixa de ingredientes mistério. Sem saber o que fazer, teve que se desenrascar e “começar a inventar”. Da experiência no “MasterChef Júnior” resultou um bolo de chocolate que se tornou famoso e que conquistou os jurados. O doce ficou com bordas cozidas e um centro cremoso, quase “como se fosse um petit gâteau gigante”.
De lá para cá, passaram 12 anos e a jovem guardense continua a ter a receita no bolso para responder aos pedidos dos familiares e amigos que nunca mais se esqueceram da receita. E apesar do sucesso do bolo, a prestação na primeira edição do programa da TVI, em 2014, terminou na fase das semifinais, onde não conseguiu convencer o júri composto por Manuel Luís Goucha, Rui Paula e Miguel Rocha Vieira. Hoje, aos 21, continua a cozinhar, embora a cozinha tenha ficado apenas com o estatuto de hobby. O famoso bolo também continua a aparecer nos jantares. “No outro dia tive um jantar com amigas aqui em minha casa e elas pediram o bolo”, conta.
“Sempre gostei muito de cozinhar, principalmente por acompanhar a minha mãe enquanto fazia o jantar”, revela. Aos nove anos, foi a irmã, Joana Sampaio, quem decidiu inscrevê-la no programa. “Chegou ao pé de mim e disse-me: ‘Olha, inscrevi-te no MasterChef.’” A inscrição foi feita um bocadinho na brincadeira e Rosarinho nem acreditava que pudesse avançar. “Sozinha acho que provavelmente nem um ovo estrelado sabia fazer.”
Depois de ser selecionada para o casting, teve de gravar um vídeo na cozinha. A mãe aproveitou para a pôr a ajudar no jantar e prepararam juntas bacalhau com broa. Mais tarde, numa das provas presenciais, encontrou uma caixa mistério. “Vejo crianças a saírem a dizerem que tinham feito frango grelhado, entrecosto, e eu: ‘Meu Deus, o que é que vou fazer? Não sei fazer nada destas coisas.’” Por coincidência, calhou-lhe bacalhau. “Costumo dizer que foi um milagre”. Repetiu a receita que tinha feito com a mãe e avançou.
Nas provas, sobretudo nas de eliminação, Rosarinho achava sempre que ia sair. Não por desconfiar do próprio trabalho, mas porque olhava à sua volta e sentia que os colegas eram melhores. “Ninguém da minha família, nem eu mesma, sei muito bem como é que fui passando”, admite. Continuou, porém, a superar cada fase até chegar à semifinal.
Em 2017, na segunda edição da competição, a produção convidou cinco antigos concorrentes a regressarem à cozinha para apresentarem um prato que os novos participantes teriam de recriar. Antes de Rosarinho levantar a cloche, já todos adivinhavam o que escondia. “Já todos sabemos o que é que a Rosarinho nos vai apresentar hoje”, disse o chef Miguel. Era o bolo de chocolate pelo qual tinha ficado conhecida.
Conciliar o programa com a escola foi outro desafio. As gravações decorreram entre janeiro e a primeira semana de abril e, apesar de os episódios serem gravados ao fim de semana, Rosarinho faltava algumas vezes às aulas, sobretudo à segunda ou à sexta-feira. A produção acompanhava o calendário escolar e ajudava os concorrentes nos estudos. “Tínhamos sempre alguém da produção a ajudar-nos a estudar e a fazer trabalhos.” Na escola, contou também com “um ótimo apoio dos professores e dos colegas.”

A experiência aumentou ainda mais a vontade de cozinhar. “Comecei a ganhar imenso gosto pela cozinha e, em casa, queria treinar mais pratos e ajudar a minha mãe, descobrir novas receitas.”
Ainda hoje há quem se lembre da sua prestação. Recorda-se de, ainda com 18 anos, ter sido reconhecida durante a viagem de finalistas. Quando entrou num autocarro, ouviu: “Olhem, é a Rosarinho do MasterChef”, seguindo-se uma salva de palmas. Hoje acontece com menos frequência, mas continua a encarar esses momentos com orgulho. “É muito giro, na verdade. Ver pessoas que, passado tanto tempo, ainda se lembram de mim.”
Apesar do percurso no programa, decidiu não fazer da culinária uma profissão. Chegou a ponderar estudar em Espanha, mas percebeu que transformar a paixão numa atividade profissional poderia retirar-lhe o prazer de cozinhar. “É uma coisa que me traz paz.”
Depois do 12.º ano, estudou Marketing e Publicidade no IADE, em Lisboa. Terminou agora a licenciatura e vai continuar os estudos com um mestrado. Atualmente, vive em Lisboa e já reconhece a Guarda como uma segunda casa.
A cozinha continua, por isso, a fazer parte da sua vida. Rosarinho ainda prepara o bolo de chocolate e outras receitas que aprendeu no programa e não exclui a possibilidade de um dia fazer algo ligado à gastronomia. “Se seguisse a cozinha de alguma maneira seria mais por esse lado, sendo uma chef privada ou assim.” Por enquanto, cozinha para a família e os amigos, mesmo que o famoso bolo desapareça da mesa antes de chegar a vez da fotografia.








