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Este refúgio rural em Videmonte é um dos tesouros mais bem escondidos da Guarda

O Terra Sense nasceu das memórias de infância de Neuza Almeida e oferece uma experiência rural entre o calor da lareira, a vida no campo e experiências únicas.

As gemas são uma espécie de teste do algodão. E também um dos detalhes que os hóspedes estranham ao chegar ao Terrra Sense: a cor densa do ovo, que se sente também quando chega à boca. “No final de cada refeição, todos os nossos hóspedes nos dizem que o sabor é mais genuíno”, refere Neuza Almeida, proprietária do o refúgio rural em Videmonte, na Guarda, que abriu portas em julho de 2023 e que rapidamente se tornou uma das unidades mais especiais da região.

Esses mesmos ovos, postos pelas galinhas caseiras, são os que ajudam a dar sabor aos bolos caseiros servidos ao pequeno-almoço. Bolos feitos com ingredientes locais, muitas vezes pelas mãos da própria mãe de Neuza, tal como os queijos e o requeijão.

O ambiente informal e relaxado entrelaça-se com as linhas mais modernas da decoração, dois mundos que vivem num equilíbrio delicado. Isso sente-se também no dia a dia dos hóspedes. Neuza recorda um grupo fiel de clientes americanos que, sempre que regressa, faz questão de jantar na cozinha, em busca da proximidade e simplicidade que marcam a aldeia e o Terra Sense. “É tudo aquilo que nós tentamos fazer também, que hoje em dia não se faz”, conta Neuza Almeida, bancária de 42 anos.

“Tentei criar no Terra Sense o meu regresso às origens, à minha infância, que foi uma fase super feliz da minha vida, com os primos, a interação com os animais, com o campo”, explica sobre a decisão de investir num novo projeto na terra onde nasceu e onde foi criada entre avós paternos e maternos que viviam do campo. “Lembro-me de, em miúda, ir com os meus avós para a agricultura, de os ver a tratar dos animais”, conta.

Foi na Quinta do Veledo, com 10 hectares, que tudo começou. O plano inicial era modesto. “Não era para ter esta dimensão, era mesmo para ser uma casinha mais pequena para quatro, seis pessoas no máximo”, explica Neuza. Mas a ambição não era ter apenas camas. Queria que quem ali ficasse sentisse uma “verdadeira experiência de casa.”

No interior da Casa Mãe, a casa principal do Terra Sense, há seis quartos, cinco deles duplos e a suite, maior, com cama de casal e mais duas camas no mezzanine, um espaço ideal para famílias. Quem preferir mais privacidade, pode ficar na villa independente, com dois quartos e cozinha privativa.

O arquiteto Diogo Almeida ampliou o projeto até uma capacidade de 22 pessoas. “Conseguiu tornar este espaço maior, mas o ambiente familiar continua sempre presente”, garante. A decoração, assinada pela Artspazios, acompanha essa narrativa, assente em linhas simples, materiais e texturas rústicas, cores que evocam a terra. “Os tons mais neutros e escuros foram pensados para ilustrar a terra”, revela. Na sala, a lareira assume o destaque principal, “algo muito típico na nossa zona”, explica Neuza, que apela a um “regresso à infância e à casa dos avós”.

A fundadora do Terra Sense é natural de Videmonte

Esse conceito sente-se em todas as vertentes. Desde logo porque os hóspedes podem fazer exatamente o que Neuza fazia em criança, ou seja, interagir com os animais da quinta, participar na atividade agrícola, ir à horta escolher as ervas aromáticas para o chá das cinco.

À mesa, já se sabe: o mesmo conceito de autenticidade e produtos locais. Se no pequeno-almoço há pão acabado de cozer, ovos caseiros e os queijos e compotas da quinta, ao almoço e jantar é necessário fazer reserva para provar os pratos típicos, do borrego ao cabrito feito no forno a lenha.

Há também workshops ao longo do ano, como o que ensina a fazer pão, sobretudo nos meses de inverno. Nos meses quentes, a apicultura ganha destaque. “É uma experiência enriquecedora que permite aos hóspedes compreender o trabalho extraordinário realizado pelas abelhas”, nota. É possível acompanhar o processo até às pequenas gotas de mel. O mesmo mel servido ao pequeno-almoço e ao lanche, e que pode seguir viagem na mala. Tudo converge para que “os hóspedes tenham a experiência completa de viver o campo”.

Neuza acredita que a diferença está nos detalhes. “Costumo dizer que são os pequenos pormenores que se tornam grandes pormenores e fazem toda a diferença.” Os pais também estão sempre presentes e são eles que ajudam a cuidar dos animais, a preparar refeições, a explicar como se semeia, se colhe ou se tira o leite às cabras. “Ainda me lembro de amigas que não conheciam Videmonte, ficarem admiradas quando lhes mostrava ou explicava como é que funcionava a vida na quinta, desde semear e apanhar os alimentos da terra e tirar o leite às cabras para fazer o leite”, relembra.

Mesmo com tudo isso, o Terra Sense assume-se como ponto de partida para explorar as redondezas, desde os Passadiços do Mondego, a um percurso de 12 quilómetros que liga a aldeia à Barragem do Caldeirão, entre rio, cascatas e moinhos. No verão, a Praia Fluvial de Videmonte fica a menos de dois minutos a pé.

Atualmente, o alojamento conta com sete unidades. Os preços por noite começam nos 150€. Aqui, as gemas continuam amarelas. E isso, afinal, é só o começo.

Carregue na galeria para conhecer o espaço.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Quinta do Veledo
    6300-245 Videmonte
ESTILO
alojamento local
PREÇO MÉDIO
entre 151€ e 250€
AMBIENTE
rural

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