Foi num caixote cheio de fotografias antigas do avô que Rui Campos encontrou uma nova forma de olhar para a história da família. Depois da morte do avô, levou as imagens consigo e começou a tentar perceber quem eram aquelas pessoas, que histórias escondiam e o que diziam sobre o lugar de onde vinham. A curiosidade acabou por transformar-se numa paixão pela fotografia e pela memória. É também essa vontade de contar histórias através de imagens que está na origem do novo livro do fotógrafo guardense, “Ainda Há Luz nas Janelas”, que é lançado em novembro.
A obra sucede a “5 de Maio”, uma biografia visual publicada em 2026, e marca o arranque de um projeto editorial que prevê o lançamento de dois livros por ano, em maio e novembro, até 2030. A apresentação está marcada para novembro, na Guarda. Durante o mesmo mês, o livro será também apresentado na Feira do Livro de Vila Nova de Foz Côa, ambas numa data ainda por definir.
Apesar de a fotografia fazer parte da sua vida há muito tempo, Rui não começou por fazer dela profissão. Durante 20 anos, conciliou esta paixão com outros empregos, até perceber que queria dedicar-se a tempo inteiro àquilo de que realmente gostava. “Percebi que não queria ter patrões. Decidi que queria mudar de vida e apostar na fotografia de forma mais séria”, revela o guardense de 50 anos.
Ao longo do percurso, trabalhou com máquinas analógicas e digitais, mas garante que o equipamento nunca foi o mais importante. “A fotografia é um instrumento para fazer perguntas ou para ir à procura de respostas”, explica.”Mais do que a máquina, importa aquilo que se encontra e a forma como se olha para o que está à volta.”
Foi com essa forma de olhar que começou a fotografar cada vez mais as pessoas e os lugares que conhece. Desde 2016, tem percorrido várias aldeias, onde fotografa os habitantes e, por vezes, regressa para lhes entregar as próprias fotografias. Dessa proximidade nasceram projetos como Continuum e Redo Social, que exploram a relação entre fotografia, memória e comunidade.
O novo livro, “Ainda Há Luz nas Janelas”, nasce precisamente dessa ligação às pessoas e ao território. Reúne retratos feitos em aldeias e cidades da Guarda, nas ruas, à porta das casas, em cafés, locais de trabalho e outros espaços do dia a dia. “A ideia é perceber se é possível contar a história de um território através das pessoas que lá vivem”, conta.
As fotografias resultam de encontros que aconteceram ao longo do seu trabalho, alguns mais breves, outros construídos ao longo do tempo. “Cada imagem tem uma relação entre uma pessoa, uma circunstância e um território”, explica o fotógrafo. “Alguns foram rápidos, outros foram acontecendo ao longo do tempo.”
A publicação dá continuidade ao trabalho iniciado com “5 de Maio”, a primeira obra em nome próprio de Rui Campos. Construído a partir do seu arquivo de imagens, o livro explorava temas como a memória, o território e a presença humana. Foi apresentado na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, com a participação do investigador e curador António Prata Coelho e do poeta, fotógrafo e editor Jorge Velhote.
Para Rui, fotografar vai muito além de escolher uma máquina ou dominar uma técnica. Trabalha tanto com equipamento digital como analógico, mas acredita que o mais importante é saber observar e encontrar uma forma de comunicar através das imagens. “A câmara é um instrumento”, defende. “Eu não saio para fotografar. Saio à procura de alguma coisa.”
A primeira edição de “Ainda Há Luz nas Janelas” terá apenas 100 exemplares. Trata-se de uma edição de autor, que estará disponível em pré-venda, “para que os mais curiosos possam ver antes do livro ser publicado para todo o público.”








